Ranalli diz que fala de governador sobre advogados e crime organizado é “mais uma dilmada”

O vereador Rafael Ranalli (PL) reagiu à fala do governador Mauro Mendes (União Brasil), que, ao apresentar o balanço de um ano do programa Tolerância Zero, atribuiu parte das dificuldades no combate ao crime organizado em Mato Grosso ao fato de 25 advogados supostamente terem sido flagrados tentando entrar com drogas e celulares em presídios do Estado, além da prisão de 16 agentes prisionais. Na avaliação do parlamentar, a declaração generaliza a advocacia e atinge injustamente toda a categoria.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Ranalli, que é bacharel em Direito, manifestou solidariedade aos advogados mato-grossenses e criticou o tom adotado pelo chefe do Executivo estadual. Para o vereador, o governador errou ao usar casos pontuais para associar a profissão à prática de crimes. Ele classificou a fala como “mais uma pataquada” e, em tom crítico, se referiu à declaração como “mais uma dilmada”, numa alusão a declarações consideradas confusas ou mal formuladas que ganharam projeção no debate político nacional.

“Não pode um governador de Estado generalizar uma profissão. Se existe um ou outro mau profissional em qualquer área, você não pode julgar os bons levando em consideração só os maus”, afirmou Ranalli, ao destacar que milhares de advogados em Mato Grosso atuam dentro da legalidade e cumprem papel fundamental na defesa de direitos e garantias constitucionais.

Na análise do vereador, o governador tem acumulado embates com diferentes instituições e setores da sociedade. Ranalli lembrou episódios recentes envolvendo atritos com o Judiciário, com parlamentares estaduais, além de críticas dirigidas a questionamentos sobre as obras do BRT e sobre o Parque Novo Mato Grosso.

As declarações de Mendes também motivaram reação institucional da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT). Em nota oficial, a entidade repudiou a generalização contida no discurso do governador e apontou que a vinculação da advocacia a práticas ilícitas fere a imagem da categoria e desconsidera o papel constitucional da profissão.

A OAB-MT ressaltou que a advocacia é função essencial à Justiça, prevista no artigo 133 da Constituição Federal, e lembrou que eventuais condutas irregulares de advogados são apuradas de forma rigorosa pelos órgãos internos de controle ético e disciplinar. A entidade frisou ainda que mais de 37 mil profissionais atuam diariamente em Mato Grosso na defesa de direitos, na mediação de conflitos e no fortalecimento do Estado Democrático de Direito, e alertou que declarações que colocam toda a classe sob suspeita prejudicam o diálogo institucional e não se coadunam com a responsabilidade do cargo de governador.

Tanto a manifestação de Ranalli quanto a nota da OAB-MT convergem na avaliação de que, ao tentar explicar as dificuldades em conter o crime organizado, o governador abriu um novo foco de desgaste com uma categoria que é peça central do sistema de Justiça. Em vez de individualizar eventuais desvios de conduta, a fala acabou generalizando e projetando sobre toda a advocacia a imagem de obstáculo ao combate à criminalidade.

Ranalli defende o endurecimento do enfrentamento ao crime, mas discorda que esse caminho passe pela criminalização indireta da advocacia. Para o vereador, é necessário aprimorar a legislação, corrigir falhas processuais e garantir que a repressão alcance, de forma efetiva, quem de fato viola a lei, sem ataques a categorias profissionais que atuam dentro dos limites constitucionais.

Na avaliação do parlamentar, o saldo da coletiva de imprensa que apresentou o balanço do Tolerância Zero foi negativo nesse ponto específico. Ele sintetizou sua crítica ao afirmar que as declarações de Mauro Mendes em relação à advocacia representam “mais uma dilmada” na conta do chefe do Executivo estadual. 



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