O Dilema da Escala 6x1: O Brasil Pode Ter Jornada Europeia com Produtividade de

Brasília, 6 de janeiro de 2026 – A pauta que dominou as redes sociais no último ano chega ao Congresso Nacional com força total neste início de legislatura. O fim da escala 6x1 (seis dias de trabalho para um de descanso) tornou-se o centro de um cabo de guerra ideológico e econômico: de um lado, a busca por qualidade de vida digna de países desenvolvidos; do outro, o medo de um colapso em setores vitais de uma economia em desenvolvimento.

A Proposta no Centro do Furacão
A PEC (Proposta de Emenda à Constituição), que ganhou tração com o apoio de movimentos sociais e parlamentares como Erika Hilton, propõe reduzir a jornada máxima de 44 para 36 horas semanais, permitindo o modelo de 4 dias de trabalho por 3 de folga. Em 2026, o governo federal já sinalizou que esta é uma prioridade de votação, buscando um equilíbrio entre ganho social e viabilidade empresarial.

O "Modelo Europeu" vs. Realidade Brasileira
A grande polêmica reside na comparação com nações como Alemanha e França, que possuem jornadas reduzidas e alta produtividade. Críticos, no entanto, apontam que o Brasil enfrenta gargalos estruturais que tornam a transição perigosa:
Produtividade Estagnada: Estudos da FIEMG e outras entidades alertam que a baixa qualificação da mão de obra brasileira faz com que a redução da jornada sem aumento de eficiência possa causar um impacto de até 16% no PIB.
Custo Brasil e Inflação: Para setores como bares, restaurantes e comércio, a extinção do 6x1 exigiria a contratação de novos funcionários para cobrir os turnos, elevando custos operacionais que seriam repassados ao consumidor final.

O Risco do Subemprego:
Economistas advertem que, em uma economia instável, a imposição de leis rígidas pode empurrar mais trabalhadores para a informalidade ou resultar em reduções salariais disfarçadas via novos acordos coletivos.
Os Argumentos Favoráveis: Um Choque de Consumo?
Defensores da medida argumentam que o modelo 6x1 é um resquício de uma lógica de trabalho exaustiva que adoece o trabalhador.
Estímulo ao Setor de Serviços: Mais tempo livre para o trabalhador significa maior consumo em lazer, turismo e cultura, o que poderia reaquecer a economia internamente.
Geração de Emprego: O DIEESE projeta que a redução da jornada poderia abrir milhões de novos postos de trabalho formais para suprir a demanda por turnos.

O Que Esperar de 2026?
O presidente da Câmara, Hugo Motta, afirmou que o debate será feito "sem ideologia" e com foco na realidade das micro e pequenas empresas. Propostas de transição gradual (como reduzir de 44 para 40 horas antes de chegar às 36) e compensações tributárias para os setores mais afetados estão na mesa de negociações para evitar um "engessamento" do mercado.
Enquanto o Congresso discute, o brasileiro que trabalha no comércio e serviços vive a expectativa: o país está pronto para o futuro do trabalho ou estamos tentando dar um passo maior que a perna econômica?