Várzea Grande e o Orçamento de R$ 2 Bilhões: Se o Dinheiro Existe, por que os Problemas Persistem?

Várzea Grande, 7 de janeiro de 2026 – Com a sanção da Lei Orçamentária Anual (LOA), a segunda maior cidade de Mato Grosso inicia o ano com um caixa robusto: R$ 2,037 bilhões. O montante é recorde e coloca o município em um patamar financeiro privilegiado. No entanto, o contraste entre as cifras bilionárias e a realidade das ruas levanta o questionamento que ecoa em cada bairro: se dinheiro não falta, o que falta para Várzea Grande engrenar?

O Raio-X do

OrçamentoPara 2026, a prefeita Flávia Moretti tem em mãos recursos suficientes para transformar a infraestrutura e os serviços básicos. São mais de R(517milhõesparaaeducação*e*R) 419 milhões para a saúde. Até mesmo o crônico problema da água recebeu uma fatia específica de R$ 76 milhões para o DAE. Teoricamente, a cidade tem os meios para sanar suas feridas históricas.

O "Gargalo" Não é Financeiro

Especialistas em gestão pública e moradores apontam que o entrave pode estar em três pilares que o dinheiro, sozinho, não resolve:Eficiência na Execução: Ter o recurso no papel é diferente de transformá-lo em obra entregue. A burocracia, falhas em licitações e a falta de projetos técnicos bem elaborados muitas vezes fazem com que o dinheiro "sobre" no caixa enquanto o asfalto não chega ou o posto de saúde continua sem médico.Continuidade e Planejamento: Várzea Grande sofre há décadas com a descontinuidade administrativa. O que falta, muitas vezes, é um plano de estado que ultrapasse mandatos, evitando que obras como as do BRT ou do sistema de esgoto se tornem "novelas" sem fim que consomem recursos sem entregar resultados.Qualidade do Gasto: Gastar muito não é sinônimo de gastar bem. A polêmica sobre a "máquina inchada" e o custo político da administração municipal frequentemente entra no debate. Dos R$ 2 bilhões, quanto realmente chega na ponta, no serviço direto ao cidadão, e quanto se perde no caminho da manutenção da estrutura governamental?

A Voz da Rua
Enquanto a prefeitura celebra a meta de R$ 2,03 bilhões, o cidadão várzea-grandense ainda convive com o racionamento de água em diversos bairros e o caos no trânsito da Avenida da FEB. Para o contribuinte, a conta é simples: se a receita subiu, o serviço precisa subir de nível na mesma proporção.

O Desafio de 2026

O ano de 2026 será o teste de fogo para a nova gestão. Com o orçamento recorde aprovado, a desculpa da "falta de verba" perde a validade. O que o morador espera não são apenas números vultuosos no Diário Oficial, mas sim que a eficiência administrativa finalmente alcance o tamanho do orçamento.Falta dinheiro? Não. O desafio agora é transformar bilhões de reais em qualidade de vida, provando que o problema de Várzea Grande nunca foi o bolso, mas sim a gestão.