Entre o STF e a Esplanada: A Saída Silenciosa de Lewandowski Sem Deixar Legado no Executivo

Brasília, 8 de janeiro de 2026 – Ricardo Lewandowski encerra hoje sua passagem pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública sob um cenário de frustração para quem esperava a mesma firmeza técnica demonstrada em seus anos de Supremo Tribunal Federal (STF). Após dois anos de gestão, o balanço que fica é o de uma administração marcada pela inércia administrativa e pela incapacidade de entregar resultados tangíveis nas áreas mais críticas para a população brasileira.

A PEC que Não Saiu do Papel
A maior aposta de sua gestão, a PEC da Segurança Pública, tornou-se o símbolo de sua paralisia política. O texto, que visava centralizar diretrizes de segurança e fortalecer o papel da União sobre as polícias estaduais, foi recebido com desdém tanto por governadores quanto pelo Congresso Nacional. Lewandowski não conseguiu articular o apoio necessário para avançar a proposta, que terminou engavetada e desidratada, evidenciando uma falta de "tino político" necessária para o cargo de ministro de Estado.
Insegurança em Alta e Respostas Tímidas
Enquanto o crime organizado expandia seu domínio territorial em grandes centros e fronteiras ao longo de 2025, o ministério sob Lewandowski limitou-se a discursos protocolares e planos de ação que pouco alteraram os índices de criminalidade. Críticos apontam que o ministro manteve um perfil excessivamente acadêmico e jurídico, tratando a crise de segurança como um problema de "tese" em vez de uma emergência de campo.

Uma Gestão de Passagem
Diferente de seus antecessores, que utilizaram a pasta como vitrine de combate à corrupção ou reformas estruturais, Lewandowski é visto por observadores em Brasília como um "ministro de transição prolongada". Sua gestão não apresentou nenhum programa social de impacto contra a violência, nem conseguiu modernizar o sistema carcerário de forma efetiva.
A saída, justificada por "razões pessoais" no início de 2026, soa para muitos como uma admissão de fadiga diante de um cargo que exige agilidade executiva — algo que Lewandowski, acostumado ao ritmo lento e solene do Judiciário, nunca demonstrou possuir na Esplanada dos Ministérios.

O Que Fica
Para a história do governo Lula 3, a passagem de Ricardo Lewandowski será lembrada como uma tentativa frustrada de dar um tom "constitucionalista" à segurança pública. Na prática, o ex-ministro deixa o cargo sem uma única marca de gestão relevante, deixando para seu sucessor o desafio de, finalmente, tirar o Ministério da Justiça da imobilidade.