"Escudo Comercial: Itália isola Macron e acelera acordo com Mercosul para enfrentar protecionismo americano"

ROMA – Em uma reviravolta geopolítica nesta sexta-feira (9 de janeiro de 2026), a Itália confirmou que votará a favor do tratado de livre comércio entre União Europeia e Mercosul. A decisão da primeira-ministra Giorgia Meloni não apenas isola a França de Emmanuel Macron, mas revela uma estratégia urgente de Bruxelas: buscar mercados alternativos diante da crescente instabilidade comercial e das tarifas agressivas impostas pelos Estados Unidos sob a nova administração de Donald Trump.

O Fim da Resistência Italiana
Até o final de 2025, a Itália caminhava ao lado da França na exigência de cláusulas ambientais e proteções agrícolas mais rígidas. No entanto, após negociações de última hora que garantiram um fundo de compensação de 45 bilhões de euros para agricultores europeus, Roma cedeu.
Com o apoio italiano, a França perde a capacidade de formar uma "minoria de bloqueio". Sem a Itália, Paris e seus aliados menores (como Irlanda e Polônia) não detêm o peso populacional necessário para impedir que a Comissão Europeia siga adiante com a assinatura, prevista para ocorrer na próxima semana em Assunção, no Paraguai.

A “Resposta de 25 Anos” ao Protecionismo dos EUA
Embora a questão agrícola tenha dominado as manchetes, o verdadeiro motor para a conclusão do pacto após duas décadas de paralisia é o cenário em Washington. Desde a posse de Trump em janeiro de 2025, os Estados Unidos implementaram tarifas universais de importação, atingindo duramente as exportações industriais europeias.
"O acordo com o Mercosul deixou de ser apenas uma oportunidade comercial para se tornar um imperativo de segurança econômica", afirma o analista de comércio internacional Lorenzo Pavesi. "A Europa entendeu que não pode ficar dependente de um mercado americano que se fechou. O Mercosul oferece uma alternativa de exportação para carros, máquinas e vinhos europeus que hoje enfrentam barreiras nos EUA."

Geopolítica e Reciprocidade
Para o Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai, a ratificação representa a chance de consolidar o bloco sul-americano como um parceiro estratégico confiável. O governo brasileiro, que liderou a ofensiva diplomática final, argumentou que o acordo cria um "eixo de estabilidade" em um momento de fragmentação global.
As novas diretrizes aceitas pela Itália incluem:
Cláusula de Espelhamento: Exigência de que produtos do Mercosul sigam normas de pesticidas similares às europeias.
Salvaguardas Automáticas: Mecanismos para suspender importações caso ocorra um surto descontrolado que prejudique produtores locais.

Próximos Passos
Com o sinal verde de Roma, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, tem o caminho livre para a assinatura formal. O acordo ainda precisará passar pelo Parlamento Europeu, mas a vitória política de hoje sinaliza que a UE escolheu o caminho do multilateralismo e da diversificação de parceiros para enfrentar os anos de incerteza tarifária vindos da Casa Branca.