O "Imposto do Sol": A Contradição de um Governo que se Diz Verde, mas Encara a Sustentabilidade pelo Bolso
O Brasil de 2026 vive um paradoxo energético que desafia a lógica climática internacional. Enquanto o governo de esquerda, liderado pelo presidente Lula, projeta-se no cenário global como o "guardião do meio ambiente" e defensor da transição energética, internamente a realidade é mais cinzenta. Com o aumento agressivo do Imposto de Importação sobre painéis solares, a sensação do consumidor brasileiro é de que o "selo verde" do país tem um custo, e ele está cada vez mais alto.
O Protecionismo que Atrasa o Futuro
A grande polêmica do ano é a consolidação da alíquota de importação de módulos fotovoltaicos, que pode atingir 35% em julho de 2026. O argumento oficial do governo é o fortalecimento da indústria nacional. No entanto, especialistas do setor apontam que a indústria brasileira ainda não possui escala para suprir a demanda interna com os mesmos preços e tecnologia da China.
Na prática, ao encarecer o painel solar vindo de fora, o governo não está apenas protegendo fábricas locais, mas dificultando o acesso das famílias de classe média e pequenos empresários à tecnologia que reduziria suas contas de luz e sua pegada de carbono. É o governo "pró-verde" criando barreiras alfandegárias contra a própria energia limpa.
O Calendário de Aumentos e a "Taxação do Sol"
A barreira não está apenas na compra do equipamento. 2026 marca um novo degrau na escada da Lei 14.300, o Marco Legal da Geração Distribuída. A partir deste ano, quem investe em energia solar passa a pagar 60% da tarifa do Fio B (uso da rede elétrica).
Embora o Marco Legal tenha sido sancionado na gestão anterior, a atual administração não moveu palhas para revisar os encargos que desestimulam a microgeração. Pelo contrário: o apetite arrecadatório parece falar mais alto que a urgência climática. Para o cidadão comum, o recado é confuso: o governo incentiva a transição em discursos na ONU, mas tributa o sol na hora de fechar o balanço fiscal.
Discurso vs. Prática: O Risco de uma Transição de Elite
O maior risco dessa política é tornar a energia solar um artigo de luxo. Se o imposto de importação sobe para 35% e a taxa de uso da rede continua sua escalada anual, o tempo de retorno do investimento (payback) estica, afastando o consumidor de baixa renda do sonho da autonomia energética.
"É uma contradição de termos", afirma um consultor do setor que preferiu não se identificar. "Não se pode pregar a descarbonização da economia e, ao mesmo tempo, tratar o equipamento solar como se fosse um cigarro ou uma bebida alcoólica, com taxas punitivas."
O que esperar?
Enquanto o Brasil se prepara para sediar eventos climáticos e busca financiamento internacional para o Fundo Amazônia, a contradição interna permanece exposta. Se 2026 era para ser o ano da consolidação da energia limpa, está se tornando o ano em que o brasileiro descobriu que, para o governo, o Sol não nasce para todos — ele nasce para quem pode pagar os impostos de uma política industrial que ainda patina na realidade.






