Futuro da Santa Casa de Cuiabá se Divide entre Proposta Privada e “Vaquinha” Parlamentar

CUIABÁ – 15 de janeiro de 2026 – O destino da centenária Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá entra em um momento decisivo. Enquanto a Justiça do Trabalho analisa uma proposta de aquisição apresentada pela iniciativa privada, no campo político ganha força uma articulação para que o poder público assuma o controle da unidade por meio de um esforço conjunto dos deputados estaduais.

Proposta do Setor Privado

Nesta semana, o Instituto São Lucas formalizou uma oferta de R$ 20 milhões para a compra do prédio do hospital. O valor chama atenção por ser significativamente inferior aos montantes fixados em leilões anteriores, que variavam entre R$ 39,1 milhões e R$ 48,8 milhões, ambos sem interessados.

A proposta prevê pagamento parcelado e está sob análise da Justiça do Trabalho e dos credores da instituição. O imóvel, vale lembrar, já foi avaliado em R$ 78,2 milhões em anos anteriores, o que reforça o debate sobre a adequação do valor ofertado frente ao patrimônio histórico e estrutural da unidade.

O “Emendão” dos Deputados

Paralelamente à iniciativa privada, surge uma alternativa no campo político. O deputado estadual Júlio Campos (União) propôs uma espécie de “vaquinha parlamentar” para viabilizar a aquisição da Santa Casa pelo poder público municipal.

A ideia foi apresentada diretamente ao prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini, e prevê que cada um dos 24 deputados estaduais destine 10% de suas emendas impositivas da área da saúde em 2026 para a compra do hospital.

Segundo estimativas, cada parlamentar dispõe de cerca de R$ 13 milhões em emendas de saúde neste ano. Com a adesão de todos, o montante arrecadado poderia chegar a aproximadamente R$ 31 milhões.

O objetivo da proposta é garantir que o complexo hospitalar — que conta com 250 leitos — permaneça como patrimônio público, voltado ao atendimento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), evitando o fechamento definitivo da unidade após a transferência da gestão estadual para o novo Hospital Central.

Próximos Passos

O prefeito Abilio Brunini demonstrou receptividade à proposta apresentada pelos parlamentares, embora tenha destacado que ainda não há definição oficial. O desfecho dependerá do avanço da análise judicial da oferta do Instituto São Lucas e da capacidade da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) em formalizar o chamado “emendão” dentro do prazo.

A urgência se justifica: o prazo para a desocupação do prédio pelo Estado se encerra em abril de 2026, o que impõe uma corrida contra o tempo para definir o futuro da Santa Casa, um dos símbolos históricos da saúde pública em Mato Grosso.