O Fim da Era de Ouro dos Studios? Por que o Aluguel por Temporada Perde Força em 2026

Durante a última década, investir em studios para locação por plataformas como Airbnb foi a estratégia preferida de investidores em busca de rentabilidade acima do aluguel convencional. A promessa de alta demanda, retorno rápido e gestão simplificada consolidou o modelo como sinônimo de “renda passiva”.

No entanto, o cenário de janeiro de 2026 confirma uma virada estrutural no mercado imobiliário. A Reforma Tributária e a nova classificação da hotelaria digital transformaram o aluguel por temporada em um negócio de alta complexidade operacional, maior exposição fiscal e margens cada vez mais apertadas.

1. O Choque da Tributação: Airbnb Enquadrado como Hotelaria

A principal mudança está na equiparação fiscal da locação de curta duração à atividade de hospedagem.

Até recentemente, muitos proprietários operavam em uma zona de baixa fiscalização. Com a implementação do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços), a locação por período inferior a 90 dias passa oficialmente a ser tratada como serviço de hotelaria.

Diferença prática na tributação:

Aluguel residencial de longo prazo: redutor de 70% na alíquota do IVA.

Aluguel por temporada (Airbnb): redutor de apenas 40%.

Na prática, o investidor de aluguel por temporada passa a pagar aproximadamente o dobro de imposto sobre o faturamento bruto em comparação ao aluguel tradicional.

2. Teto de Faturamento e o Fim do Investidor Informal

A partir de 2026, quem fatura acima de R$ 240 mil por ano — ou R$ 24 mil em um único mês — entra obrigatoriamente no regime de recolhimento integral do novo sistema tributário.

Essa regra impõe uma profissionalização forçada e praticamente extingue o pequeno investidor informal. Para tentar preservar a rentabilidade, o proprietário é levado a:

Abrir um CNPJ, buscando compensar parte da carga tributária por meio de créditos fiscais;

Contratar gestão profissional, aumentando custos com administração, limpeza, marketing e manutenção.

O efeito direto é a erosão da margem de lucro que, no passado, justificava o investimento em studios voltados ao Airbnb.

3. Superoferta de Studios e Pressão sobre as Diárias

Outro fator determinante é a saturação do mercado. Capitais como São Paulo, Curitiba e outras grandes cidades registraram, nos últimos anos, recordes de lançamentos de studios.

Com mais unidades disputando o mesmo público e um aumento de impostos repassado ao hóspede, o mercado reage de forma previsível:

Diárias estagnadas ou em queda para garantir ocupação;

Custos fixos em alta, como condomínio, IPTU e manutenção.

Esse descompasso compromete ainda mais o retorno líquido do investidor.

4. O Retorno do Aluguel Tradicional

Diante desse novo cenário, o aluguel convencional (contratos de 12 a 30 meses) volta a se destacar como alternativa sólida.

Com menor carga tributária, menor vacância e custos operacionais reduzidos, o Net Yield do aluguel tradicional pode, em muitos casos, superar o do aluguel por temporada, com uma vantagem adicional: menor esforço de gestão e menor risco jurídico e fiscal.

Conclusão

O studio continua sendo um bom ativo imobiliário, mas deixou de ser uma “máquina automática de dinheiro” via plataformas digitais.

Em 2026, o sucesso do investidor imobiliário depende menos da plataforma escolhida e mais de:

Planejamento tributário eficiente,

Leitura realista do mercado,

Estratégia alinhada ao perfil do imóvel e do público.

O jogo mudou. E quem insistir nas regras antigas tende a ver sua rentabilidade desaparecer.

✍️ Ederson Pastre
Corretor de imóveis e empresário dos setores imobiliário e de comunicação.
Apresentador do programa “Pode Mudar”, todas as segundas-feiras, às 18h, na Rádio Cuiabana FM. 



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