O Novo Eixo Global: Enquanto Washington se Fecha, o Mundo Acelera Acordos Bilaterais
O mapa do comércio global está mudando rápido. Neste sábado, o mundo assiste a um redesenho claro das rotas econômicas internacionais. Enquanto o governo de Donald Trump aprofunda a política do “América Primeiro” — com tarifas, barreiras comerciais e até alertas de segurança no espaço aéreo — outros países seguem por um caminho bem mais pragmático.
Dois movimentos ajudam a entender esse novo momento: a histórica assinatura do acordo entre Mercosul e União Europeia e a inesperada trégua tarifária entre Canadá e China.
A queda do muro comercial no Cone Sul
Depois de mais de 20 anos de negociações cheias de idas e vindas, Mercosul e União Europeia finalmente assinam, hoje no Paraguai, um acordo de livre comércio que cria um dos maiores mercados integrados do mundo.
Não é só uma boa notícia para o agronegócio sul-americano ou para a indústria europeia de tecnologia e serviços. O acordo tem um peso político evidente. Diante das tarifas impostas pelos Estados Unidos, países como Brasil e Argentina buscam na Europa um contrapeso estratégico — garantindo exportações, atraindo investimentos e fortalecendo projetos ligados à transição energética e à infraestrutura verde.
O “desvio” canadense e o pragmatismo chinês
A maior surpresa da semana veio do Norte. O Canadá, historicamente um dos aliados mais próximos de Washington, resolveu seguir um caminho próprio na disputa comercial com a China.
O acordo firmado entre o premiê Mark Carney e o presidente Xi Jinping reduziu drasticamente as tarifas sobre veículos elétricos chineses: de 100% para pouco mais de 6%. Em troca, Pequim reabriu o mercado para a canola canadense, aliviando a pressão sobre um setor vital da economia do país.
O recado é claro: até os vizinhos mais próximos dos EUA estão colocando na balança a estabilidade interna e o custo de vida da população — inclusive permitindo a entrada de carros elétricos mais baratos — em vez de seguir automaticamente a guerra comercial liderada por Washington.
Isolamento sob alerta
Enquanto novos tratados são assinados em Assunção e Pequim, os céus das Américas refletem o clima de tensão da política externa americana. A FAA mantém alertas rigorosos sobre riscos de ataques e interferências em sistemas de GPS para voos que cruzam o México e a América Central.
A estratégia dos EUA em 2026 parece cada vez mais evidente: usar seu peso militar e o tamanho do seu mercado como instrumentos de pressão. Ao mesmo tempo, do Mercosul ao Canadá, o restante do mundo começa a construir rotas comerciais que já não dependem exclusivamente do aval da Casa Branca.






