Crise no Varejo: Shopping Estação Cuiabá Intensifica Despejos e Expõe Fragilidade de Grandes Marcas
CUIABÁ – 19 de janeiro de 2026 — O Shopping Estação Cuiabá, considerado um dos empreendimentos mais sofisticados do varejo mato-grossense, tornou-se o epicentro de uma crescente onda de disputas judiciais envolvendo lojistas inadimplentes. Decisões recentes da Justiça revelam uma política rígida de tolerância zero por parte da administração do shopping, em meio a um cenário de desaceleração do consumo e aumento dos custos operacionais.
Fare Joias é Despejada por Inadimplência
O caso mais recente envolve a Fare Joias, que teve a desocupação imediata do ponto comercial determinada pela Justiça nesta segunda-feira (19). Segundo os autos, a joalheria acumulou aluguéis e encargos condominiais em atraso, tornando inviável a continuidade do contrato de locação.
A magistrada responsável pelo processo rejeitou pedidos de prorrogação e reforçou o entendimento de que o locador tem direito à retomada do imóvel diante do descumprimento contratual, especialmente quando esgotadas as tentativas de renegociação.
Brasido Restaurante Enfrenta Cerco Judicial
Outro caso emblemático é o do Brasido Restaurante, comandado pelo chef Fernando Mack, que chegou ao Estação Cuiabá com a promessa de se tornar uma referência gastronômica regional. Hoje, a unidade enfrenta uma série de ações judiciais:
Ação de despejo movida pelo shopping, que cobra uma dívida superior a R$ 769 mil, acumulada desde agosto de 2024;
Bloqueio judicial de R$ 1 milhão, determinado em novembro de 2025, para garantir o pagamento de aluguéis e encargos;
Processos movidos por investidores, que alegam um prejuízo de aproximadamente R$ 2,8 milhões, citando falta de transparência e ausência de formalização societária adequada.
Os processos colocam em xeque não apenas a gestão do restaurante, mas também o modelo de expansão baseado em altos custos fixos e expectativas de faturamento que não se concretizaram.
Aluguel Elevado e Custos Fixos Pressionam Operações
A sequência de despejos no Estação Cuiabá não é isolada. Nos últimos anos, marcas tradicionais como Casas Bahia, com dívida estimada em R$ 272 mil, também foram alvo de ações judiciais. Em 2025, a Tok & Stok chegou a ficar próxima de encerrar suas operações no local, em meio a disputas contratuais.
Especialistas do setor imobiliário e varejista apontam que o principal gargalo está no alto custo de ocupação. A combinação de aluguel mínimo elevado, taxas de condomínio, fundo de promoção e outras despesas fixas pode facilmente ultrapassar valores de seis dígitos mensais, especialmente para restaurantes de grande porte e operações premium.
Esse modelo exige faturamento constante e elevado — uma realidade cada vez mais difícil diante das oscilações do mercado local, da concorrência com o comércio eletrônico e da mudança no comportamento do consumidor.
Posição do Shopping
Em nota, a administração do Shopping Estação Cuiabá afirma que as medidas judiciais são adotadas apenas após tentativas frustradas de renegociação, destacando que a política busca preservar o equilíbrio financeiro e operacional do empreendimento como um todo.
Um Sinal de Alerta para o Varejo Regional
A crise exposta pelos despejos no Estação Cuiabá vai além de casos pontuais de inadimplência. Ela revela um choque estrutural entre o modelo de shopping de alto padrão e a realidade econômica regional, levantando questionamentos sobre a sustentabilidade de operações com custos elevados em um mercado cada vez mais pressionado.
Para lojistas e investidores, o episódio funciona como um alerta: em 2026, prestígio de marca e localização nobre já não garantem, por si só, viabilidade financeira.






