Nem Reacionários, Nem Tradicionais: O Liberalismo Pragmático da Geração Z em 2026
BRASÍLIA – A recente onda de manifestações e o avanço da direita entre jovens de 18 a 29 anos no Brasil têm obrigado sociólogos e cientistas políticos a rever antigos paradigmas. Se em décadas passadas “ser de direita” significava defender o status quo e valores tradicionais, em 2026 a Geração Z brasileira redefine o conceito: trata-se de uma direita liberal na economia, pragmática na política e amplamente progressista nos costumes.
Direita, sim; conservadora, nem tanto
Dados da AtlasIntel, de janeiro de 2026, indicam que 52% da Geração Z se identifica com a direita. O número, porém, esconde uma nuance decisiva. Diferente das gerações anteriores, o jovem de direita atual não busca o retorno a um passado idealizado.
“O jovem de 2026 é um ‘liberal de rua’”, resume um analista político. “Ele defende menos Estado na economia e mais eficiência nos serviços públicos, mas rejeita tanto o autoritarismo quanto pautas morais rígidas que marcaram a direita dos anos 60 ou 80.”
Para essa geração, ser de direita significa, sobretudo:
Meritocracia e empreendedorismo: busca por autonomia financeira e crítica à alta carga tributária;
Liberdade individual: defesa contundente da liberdade de expressão, especialmente no ambiente digital, e resistência ao controle estatal;
Pragmatismo trabalhista: a mobilização contra a escala 6x1 revela uma juventude que quer eficiência econômica sem abrir mão de saúde mental e tempo livre.
O divisor de águas: costumes fora do centro
Enquanto o conservadorismo clássico se ancora na defesa da família tradicional e de valores religiosos, a Geração Z de direita apresenta elevados índices de aceitação de pautas como diversidade sexual e ampliação das liberdades individuais.
A manifestação de 22 de janeiro de 2026, em frente ao Banco Master, em São Paulo, ilustra bem essa mudança. O protesto não teve motivação moral ou ideológica nos costumes, mas nasceu de uma indignação institucional e financeira. O alvo foi o sistema — não o comportamento privado dos cidadãos.
A pressão da “geração nem-nem”
No pano de fundo dessa guinada está a urgência econômica. Com 36% dos jovens entre 18 e 24 anos classificados como “nem-nem” — não estudam nem trabalham —, a adesão à direita surge menos como identificação ideológica e mais como reação à ineficiência do Estado.
“Eles não querem conservar o sistema atual; querem reformá-lo”, observa um especialista em comportamento juvenil. O pessimismo é evidente: 35% acreditam que terão menos oportunidades do que seus pais. Esse sentimento de estagnação alimenta o desejo de ruptura, hoje canalizado por discursos de direita liberal focados em produtividade, inovação e desburocratização.
O futuro nas urnas
Para os candidatos de 2026, o erro estratégico será tratar a Geração Z como um bloco conservador homogêneo. Apostar exclusivamente em slogans como “Deus, Pátria e Família” pode afastar, e não atrair, esse eleitor.
O jovem de 2026 cobra soluções tecnológicas, liberdade digital e, sobretudo, um ambiente econômico que permita prosperar por mérito próprio. O recado das ruas é claro: a Geração Z se inclina à direita não por saudosismo, mas por eficiência — e não pretende abrir mão das liberdades conquistadas.






