Manobra Inédita: Esquerda Recua de CPI e é Acusada de Blindar o Banco Master.

BRASÍLIA – Em uma inversão histórica de papéis que tem surpreendido o cenário político brasileiro neste início de 2026, partidos de esquerda e a base governista no Congresso Nacional articulam para barrar a instalação da CPI (ou CPMI) do Banco Master. Tradicionalmente defensores de investigações rigorosas sobre o sistema financeiro, parlamentares do PT e siglas aliadas agora enfrentam duras críticas por, na prática, protegerem uma instituição financeira sob suspeita de irregularidades bilionárias.

O "Contragolpe" do Discurso
Até o dia 25 de janeiro de 2026, a oposição já havia coletado assinaturas suficientes no Senado (mais de 42 nomes) e avançava na Câmara para garantir a CPMI. No entanto, a ausência de nomes de peso da esquerda na lista de signatários gerou um embate ético. A ex-senadora Heloísa Helena (Rede), uma das poucas vozes do campo progressista a apoiar a investigação, classificou a postura como "inaceitável", questionando como alguém de esquerda pode se negar a investigar crimes contra fundos de pensão de servidores e aposentados.

Por que o Governo Teme a CPI?
A resistência não é por acaso. Analistas e opositores apontam que a investigação do Banco Master possui "tentáculos" que alcançam figuras próximas ao Palácio do Planalto e membros do Judiciário.
Risco Político: Em ano eleitoral, o governo Lula III teme que a CPI se torne um palanque para a oposição e exponha ligações desconfortáveis entre o banco e a gestão de recursos públicos.

Blindagem no STF: Há uma pressão direta para que a CPI também investigue a atuação do ministro Dias Toffoli, cujos familiares teriam ligações com o banco, o que aumenta o custo político para a base governista em proteger a estabilidade institucional com o STF.

A Retórica Oficial
Oficialmente, lideranças da esquerda argumentam que o caso já está sob investigação da Polícia Federal e do Banco Central, e que uma CPI agora seria "puro teatro político" para desgastar o governo. O próprio presidente Lula, em declarações recentes, tentou distanciar o governo, criticando o rombo bilionário e afirmando que há "falta de vergonha" na defesa do banco, embora sua base no Congresso atue para enterrar a comissão.

O Que Está em Jogo?
O Banco Master, que teve sua liquidação extrajudicial decretada no final de 2025 devido a crises de liquidez, é o centro de um escândalo que pode atingir R$ 30 bilhões em cofres públicos de estados e municípios. Para a oposição, a recusa da esquerda em assinar a CPI é a "prova cabal" de que o discurso contra o sistema financeiro é seletivo.
A decisão final sobre a instalação da CPI agora cabe aos presidentes da Câmara e do Senado, que sofrem pressão de ambos os lados para destravar — ou manter na gaveta — as investigações que prometem sacudir o mercado financeiro em 2026.