União Europeia e Índia Selam o “Acordo das Mães” após Duas Décadas de Negociações

NOVA DÉLHI — Em um movimento histórico que reposiciona o comércio global e altera o equilíbrio geopolítico, a União Europeia e a Índia anunciaram nesta terça-feira (27) a conclusão das negociações para um amplo Acordo de Comércio Livre (ACL). O pacto, discutido de forma intermitente por quase 20 anos, cria uma das maiores zonas de livre comércio do planeta, abrangendo cerca de 2 bilhões de pessoas e aproximadamente 25% do PIB mundial.
O acordo foi oficializado durante a 16ª Cúpula Índia–União Europeia, em Nova Délhi, com o primeiro-ministro indiano Narendra Modi e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, celebrando o que diplomatas já chamam de a “mãe de todos os acordos”.

O fim de um impasse histórico
As negociações tiveram início em 2007, mas ficaram praticamente congeladas por nove anos, em meio a divergências regulatórias, tarifárias e ambientais. O diálogo só foi retomado em 2022, impulsionado por um novo cenário internacional: tensões comerciais com os Estados Unidos, reconfiguração das cadeias globais de suprimento e o avanço de políticas tarifárias mais agressivas no comércio mundial.
Esse contexto acelerou a convergência entre Bruxelas e Nova Délhi, ambas interessadas em diversificar parceiros estratégicos e reduzir vulnerabilidades externas.
Os principais pilares do acordo

Abertura histórica no setor automotivo
Um dos pontos mais sensíveis — e simbólicos — envolve o mercado automobilístico indiano, tradicionalmente altamente protecionista. As tarifas de importação sobre veículos europeus cairão de 110% para 40% imediatamente, com redução gradual até 10% em cinco anos, dentro de uma cota anual de 250 mil veículos.
Alimentos e bebidas mais acessíveis
As tarifas sobre vinhos europeus despencarão de 150% para 20%. Produtos alimentícios como massas e chocolates, antes taxados em até 50%, terão alíquota zero, abrindo espaço para uma forte expansão do consumo premium no mercado indiano.

Vantagem competitiva para exportadores indianos
Do lado europeu, o bloco eliminará tarifas sobre setores intensivos em mão de obra da Índia, como têxteis, joias e produtos de couro. A medida permitirá que o país asiático compense perdas em outros mercados internacionais e fortaleça sua base exportadora.
Investimentos e sustentabilidade
O acordo também inclui cláusulas de proteção a investidores, além de compromissos vinculantes nas áreas de sustentabilidade, biodiversidade e clima, alinhando comércio e agenda ambiental — uma exigência central da União Europeia.

Impactos econômicos e próximos passos
Estimativas preliminares indicam que empresas europeias poderão economizar até 4 bilhões de euros por ano em impostos de importação. Para a Índia, o ACL é visto como um catalisador para acelerar a industrialização, atrair investimentos estrangeiros e consolidar sua posição como a grande economia de crescimento mais rápido do mundo.
O texto final seguirá agora para uma revisão jurídica que deve durar cerca de seis meses. A assinatura formal é esperada para o final de 2026, com entrada em vigor projetada para o início de 2027.
Mais do que um acordo comercial, Bruxelas e Nova Délhi deixam claro que a parceria representa uma aposta estratégica de longo prazo em um mundo cada vez mais fragmentado — e competitivo.
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