Vírus Nipah na Índia: Surto em Bengala Ocidental é Declarado Contido
NOVA DÉLHI — As autoridades de saúde da Índia, em conjunto com a Organização Mundial da Saúde (OMS), confirmaram nesta quinta-feira que o recente surto do vírus Nipah (NiV) no estado de Bengala Ocidental foi oficialmente contido. A rápida identificação dos casos e uma ampla operação de monitoramento impediram a disseminação comunitária da doença, considerada uma das mais perigosas do mundo.
O alerta sanitário foi acionado após a confirmação de infecções entre profissionais da saúde, o que levou à adoção imediata de protocolos de contenção e vigilância intensiva.
O Foco do Surto: Profissionais da Linha de Frente
Os primeiros casos foram registrados em janeiro de 2026, no distrito de North 24 Parganas, envolvendo dois enfermeiros — um homem e uma mulher, ambos de 25 anos — que atuavam em um hospital privado da região. Eles tiveram contato direto com um paciente internado no fim de dezembro de 2025, que apresentava graves complicações neurológicas.
Diferentemente de vírus respiratórios de rápida disseminação, como a COVID-19, o Nipah exige contato próximo com fluidos corporais, o que explica por que a transmissão ficou restrita ao ambiente hospitalar e não se espalhou para a comunidade.
A Resposta: Cerco Sanitário e Testagem Ampliada
Para garantir o controle total da situação, o governo indiano, com apoio de equipes especializadas, montou um verdadeiro cerco sanitário:
Rastreamento de contatos: 196 pessoas que tiveram contato direto ou indireto com os infectados foram identificadas e monitoradas.
Resultados tranquilizadores: Todos os testes realizados até o momento deram negativo, reforçando a avaliação de que não houve transmissão comunitária.
Alerta regional: Países vizinhos, como Tailândia e Nepal, chegaram a intensificar a vigilância em aeroportos para passageiros vindos da área afetada, por precaução.
Com base nesses dados, as autoridades sanitárias declararam o surto sob controle.
Por Que o Vírus Nipah Causa Tanta Preocupação?
Mesmo contido, o Nipah segue sendo um dos vírus mais temidos pelos especialistas. A OMS o classifica como um “patógeno prioritário”, devido ao seu alto potencial de gravidade:
Alta letalidade: A taxa de mortalidade varia entre 40% e 75%, muito superior à de outras doenças virais recentes.
Comprometimento neurológico: Além de sintomas respiratórios, o vírus pode causar encefalite, levando a convulsões, confusão mental e coma.
Sem tratamento específico: Ainda não existe vacina aprovada nem antiviral eficaz; o atendimento médico é voltado apenas ao suporte dos sintomas.






