ESPLANADA EM MOVIMENTO: LULA ARTICULA REFORMA RECORDE DE OLHO EM 2026

BRASÍLIA – O Palácio do Planalto vive um momento de reconfiguração profunda. Com o calendário eleitoral avançando e o prazo de desincompatibilização marcado para abril de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já colocou em marcha a maior reforma ministerial de seu terceiro mandato. A expectativa é que entre 17 e 23 dos atuais 38 ministros deixem seus cargos para disputar as eleições de outubro.

A estratégia do governo opera em duas frentes claras: fortalecer a presença política nos estados e conter o avanço da oposição, especialmente no Senado Federal, visto como peça-chave para a governabilidade em um eventual novo mandato presidencial.

A saída dos nomes fortes

A chamada “debandada” já começou e envolve figuras centrais do governo:

Casa Civil: Rui Costa já deixou o cargo para preparar sua candidatura ao Senado pela Bahia.

Relações Institucionais: Gleisi Hoffmann também confirmou sua saída para disputar o Senado pelo Paraná.

Justiça: Ricardo Lewandowski deixou o ministério e oficializou sua aposentadoria da vida pública, abrindo uma vaga estratégica fora do contexto eleitoral.

Outros ministros seguem com o pé na estrada:

Fernando Haddad (Fazenda) permanece como peça-chave, mas seu futuro eleitoral — Senado ou governo de São Paulo — ainda divide opiniões no PT.

Simone Tebet (Planejamento) e Marina Silva (Meio Ambiente) são tratadas como candidatas praticamente certas, com articulações em Mato Grosso do Sul e São Paulo.

Renan Filho (Transportes) trabalha pela reeleição ao governo de Alagoas.

Márcio França (Empreendedorismo) é pré-candidato ao governo paulista.

A solução interna: continuidade sem sobressaltos

Para evitar instabilidade administrativa em pleno ano eleitoral, Lula optou por uma solução interna: promover os secretários-executivos, os chamados “números dois”, garantindo continuidade técnica e política.

Casa Civil: Miriam Belchior já assumiu oficialmente o lugar de Rui Costa.

Fazenda: Dário Durigan desponta como favorito para substituir Haddad, caso o ministro confirme sua saída.

Relações Institucionais: Olavo Noleto, atual articulador do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, assumiu a pasta deixada por Gleisi.

Justiça: Wellington César Lima e Silva já está no comando após a saída de Lewandowski.

Nos bastidores, esses nomes são chamados de “ministros tampão” — técnicos com a missão de tocar a máquina pública, cumprir metas e evitar crises até o fim de 2026.

O pano de fundo político

Mais do que uma simples reforma administrativa, a movimentação na Esplanada revela uma aposta estratégica do Planalto. Ao liberar seus ministros para disputar eleições nos estados, Lula tenta criar uma onda governista competitiva, especialmente para o Senado, onde o avanço conservador preocupa o núcleo do governo.

A reforma, portanto, não é apenas sobre cargos, mas sobre sobrevivência política e correlação de forças no Congresso nos próximos anos.