Flávia Moretti chama de tiro no pé possível aliança entre Wellington Fagundes e Jayme Campos e descarta apoio ao PL em 2026.
A sucessão ao Governo de Mato Grosso em 2026 já começa a expor divisões públicas no campo político antes mesmo do início oficial do calendário eleitoral. Articulações de bastidores, declarações diretas e reposicionamentos estratégicos têm acirrado o debate, especialmente diante da possibilidade de uma aliança entre o senador Wellington Fagundes (PL) e o ex-governador Jayme Campos (União Brasil) — movimento que vem gerando forte reação dentro da direita mato-grossense.
O tema ganhou contornos mais duros após declarações da prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti, que se posicionou de forma clara contra a eventual composição. Para ela, a aliança representaria um erro estratégico grave e um verdadeiro “tiro no pé” por parte de Wellington Fagundes. A prefeita afirmou que, caso a articulação avance, não apoiaria a candidatura do senador ao Palácio Paiaguás, deixando explícito o desconforto em dividir o mesmo palanque com o grupo político dos Campos.
As declarações foram feitas na manhã desta terça-feira, após Flávia participar de um evento em Várzea Grande. Ao comentar o cenário eleitoral de 2026, a prefeita foi enfática ao afirmar que, no momento, não teria condições políticas de apoiar Wellington Fagundes em uma eventual chapa que inclua Jayme Campos. Segundo ela, “não dá para subir no palco com os Campos”, o que, em sua avaliação, inviabilizaria qualquer apoio ao projeto do PL nessa configuração.
Nos bastidores, circula a informação de que Jayme Campos teria sinalizado apoio a Wellington Fagundes, caso o senador consiga consolidar sua candidatura ao governo. Em contrapartida, Wellington também poderia apoiar Jayme, dependendo do cenário e da leitura de viabilidade eleitoral. A possível aliança, no entanto, é vista por setores da direita como um fator de desgaste, capaz de afastar apoios relevantes e fragmentar ainda mais o campo conservador em Mato Grosso.
A reação de Flávia Moretti expõe um descontentamento que não se restringe à prefeita. Outras lideranças avaliam que a composição entre Wellington e Jayme não dialoga com uma parcela expressiva do eleitorado conservador e pode comprometer a construção de um projeto competitivo para a sucessão do governador Mauro Mendes. O desconforto se intensifica pelo fato de Flávia já ter declarado, em outras ocasiões, estar dividida entre apoiar o vice-governador Otaviano Pivetta ou o próprio Wellington Fagundes, evidenciando a falta de consenso dentro do grupo.
Enquanto a direita enfrenta dificuldades para unificar discurso e lideranças, a esquerda começa a se movimentar de forma mais organizada. Um novo nome passa a ganhar espaço no debate: a médica Natácia Islecharenco, recentemente filiada ao PSD, que já é citada como uma das possibilidades para a formação de uma chapa de esquerda visando as eleições de 2026. A movimentação indica uma tentativa de estruturar um palanque competitivo no campo progressista.
A entrada de Natácia amplia o tabuleiro eleitoral e reforça que a disputa pelo governo estadual não se limitará a conflitos internos da direita. Com diferentes grupos se articulando simultaneamente, a tendência é de uma eleição altamente polarizada, marcada por disputas narrativas, alianças controversas e reposicionamentos estratégicos.
Embora o cenário ainda esteja em construção, os movimentos antecipados já produzem efeitos concretos. Declarações como as de Flávia Moretti evidenciam que alianças costuradas nos bastidores podem enfrentar resistência pública e indicam que a sucessão de Mauro Mendes promete ser uma das mais tensionadas dos últimos anos em Mato Grosso, com divisões claras tanto à direita quanto à esquerda






