A Dança das Cadeiras em Mato Grosso: Vânia Rosa muda de rota e Flávia Moretti acende alerta no PL
O tabuleiro político de Mato Grosso começou 2026 em pleno movimento. As primeiras semanas do ano já revelam que a reacomodação partidária deixou de ser especulação e passou a ser prática. De um lado, a vice-prefeita de Cuiabá, Vânia Rosa, oficializou sua mudança de legenda. Do outro, em Várzea Grande, a prefeita Flávia Moretti ainda não trocou de partido, mas envia sinais claros de que sua permanência no PL tem prazo de validade — especialmente se interesses estaduais atropelarem sua base local.
Vânia Rosa e a travessia ao centro
A filiação de Vânia Rosa ao MDB, confirmada em fevereiro, marca uma guinada estratégica. Ao deixar o Partido Novo, legenda de perfil ideológico mais rígido, a vice-prefeita opta por uma sigla de centro, com maior capilaridade, estrutura e musculatura eleitoral. O movimento é interpretado nos bastidores como preparação para voos mais altos em 2026.
A mudança, porém, não ocorre sem ruídos. O MDB é historicamente um dos principais alvos de críticas da atual gestão da capital, o que expõe uma contradição evidente entre discurso e prática. Ainda assim, o gesto sinaliza que o pragmatismo eleitoral passou a falar mais alto do que a fidelidade ideológica — uma tendência recorrente em anos pré-eleitorais.
Flávia Moretti e o limite da fidelidade partidária
Em Várzea Grande, o cenário é mais tenso. Flávia Moretti segue filiada ao Partido Liberal, mas a relação com a cúpula estadual da legenda entrou em rota de colisão. O estopim foi a articulação do senador Wellington Fagundes, principal nome do PL em Mato Grosso, em direção a uma possível aliança com a família Campos para o próximo pleito estadual.
A reação da prefeita foi imediata e pública. Ao classificar a movimentação como um “tiro no pé”, Moretti deixou claro que não vê como conciliar o discurso de renovação que a elegeu com um palanque que reúna seus adversários históricos no município. Para ela, esse tipo de composição esvazia a narrativa de mudança e compromete a confiança de sua base eleitoral.
Autonomia, identidade e independência
Diferentemente de Vânia Rosa, Flávia Moretti ainda mantém o “coração dividido”, mas já estabeleceu limites claros. Sua permanência no PL depende, essencialmente, de autonomia política. Caso a aliança defendida por Fagundes avance, a prefeita admite retirar apoio ao senador e reavaliar seu futuro partidário.
Três fatores pesam nessa equação:
Afinidade com o Executivo estadual: Moretti já declarou publicamente sua identificação política com o vice-governador Otaviano Pivetta.
Identidade regional: Dividir palanque com rivais históricos em Várzea Grande é um cenário que a prefeita considera inegociável.
Independência política: O objetivo declarado é consolidar um grupo próprio, distante das velhas oligarquias que dominam a política estadual há décadas.
Um sinal dos tempos
O que se observa é um momento de “desgelo” no sistema partidário de Mato Grosso. Enquanto Vânia Rosa busca no centro político a viabilidade para crescer, Flávia Moretti desafia sua própria legenda para preservar coerência e identidade junto ao eleitorado local.
O elo entre as duas trajetórias é claro: ambas já entenderam que, para 2026, os partidos que hoje ocupam podem não ser os veículos ideais para seus projetos de poder. Em um cenário cada vez mais pragmático, a dança das cadeiras está só começando — e promete redesenhar alianças, discursos e estratégias no estado






