O Efeito Ozempic no Atacarejo: Menos Calorias, Mais Farmácias
A popularização das chamadas "canetas emagrecedoras" (como Ozempic, Wegovy e Mounjaro) está redesenhando a estratégia das grandes redes de supermercados no Brasil. O fenômeno, que começou a ser observado no Walmart dos EUA, agora impacta o modelo de negócios de gigantes brasileiros como o Assaí Atacadista.
Mudança no Carrinho: Menos "Indulgências"
A dinâmica é direta: os medicamentos à base de GLP-1 reduzem o apetite e a vontade de consumir alimentos ultraprocessados. Como resultado, as redes de atacarejo notaram uma queda na venda das chamadas "indulgências" — itens como salgadinhos, doces, bebidas açucaradas e bebidas alcoólicas.
Redução da Cesta: Estudos sugerem que o volume de compras de alimentos pode cair até 9% entre os usuários desses fármacos.
Novas Preferências: Em contrapartida, cresce a demanda por proteínas magras e suplementos alimentares, à medida que os consumidores buscam manter a massa muscular durante a perda de peso acelerada.
A Estratégia de Defesa: Farmácias no Atacado
Para compensar a queda na venda de calorias, o setor de atacado está "abraçando" o mercado farmacêutico. O Assaí Atacadista, por exemplo, anunciou a aceleração da abertura de 25 farmácias próprias até julho de 2026 para capturar diretamente o lucro das vendas de medicamentos e suplementos.
Impacto na Economia Brasileira
O Brasil já importa mais canetas emagrecedoras do que itens tradicionais como salmão ou aparelhos celulares. Em 2025, o gasto com a importação dessas substâncias cresceu 88%, totalizando quase US$ 1,7 bilhão.
Com o fim da patente previsto para 2026, a expectativa é que a entrada de genéricos democratize ainda mais o uso, forçando os supermercados a uma adaptação definitiva: vender menos volume de comida e mais soluções de saúde e bem-estar.






