Sucessão na Fecomércio-MT: disputa pelo comando do comércio ganha contornos políticos
CUIABÁ – A eleição para a presidência da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Mato Grosso (Fecomércio-MT), marcada para abril, já ultrapassou o campo institucional e entrou de vez no terreno político. Com um colégio eleitoral composto por apenas 17 sindicatos, cada movimento nos bastidores pesa — e a disputa escancara a diferença de projetos, estilos e articulações.
De um lado, a defesa da continuidade e da governança tradicional do Sistema S. Do outro, uma candidatura de perfil mais agressivo, com forte viés político e ambição eleitoral ampliada, ancorada na força de Várzea Grande.
Marco Pessoz: perfil conservador e alinhado ao sistema
Atual primeiro vice-presidente da Fecomércio-MT, Marco Pessoz é considerado o sucessor natural do presidente José Wenceslau de Souza Júnior, o Júnior da Verdão. Com trajetória construída dentro da estrutura da federação, Pessoz representa um perfil mais conservador, técnico e institucional, fortemente alinhado ao modelo tradicional de gestão do Sistema S.
Ele tem assumido a presidência de forma interina em diversas ocasiões — como em janeiro de 2026, durante agendas internacionais do titular —, o que reforça sua imagem de continuidade e previsibilidade administrativa. Sua proposta prioriza a manutenção dos projetos em andamento e o fortalecimento do Sesc e do Senac, pilares da atuação social e educacional da entidade.
Nos bastidores, Pessoz e aliados intensificam o diálogo com conselheiros e lideranças sindicais, buscando ampliar espaço entre os membros do conselho e consolidar apoios com base na estabilidade institucional e no histórico da atual gestão.
Tião da Zaeli: postura combativa e articulação política
No campo oposto está o empresário e vice-prefeito de Várzea Grande, Tião da Zaeli (PL), que imprime à disputa um tom mais político e confrontacional. Com discurso de renovação e maior protagonismo da federação no debate público, Zaeli aposta em uma postura mais agressiva nas articulações e no convencimento dos sindicatos.
A prefeita de Várzea Grande, Flávia Moretti, já declarou publicamente que assumir o comando da Fecomércio-MT é a “prioridade número um” de seu vice, deixando claro o peso político do projeto. A candidatura, no entanto, carrega um ponto sensível: Zaeli também lançou pré-candidatura a deputado estadual para as eleições de outubro de 2026, o que levanta questionamentos entre dirigentes sobre sua capacidade de conciliar a presidência da federação com uma campanha eleitoral e, eventualmente, um mandato parlamentar.
Ainda assim, sua equipe trabalha para ampliar influência junto aos conselheiros, explorando o desejo de parte do setor por maior visibilidade política e renovação na condução da entidade.
O desafio da unidade
Com apenas 17 sindicatos aptos a votar, a matemática eleitoral é apertada e torna cada apoio decisivo. Diante desse cenário, intermediários e lideranças do setor tentam costurar uma chapa única, temendo que um racha interno enfraqueça a representatividade do comércio mato-grossense frente aos governos estadual e federal.
A definição final do quadro eleitoral deve ocorrer até o fim de março, prazo limite para o registro das chapas no portal oficial da Fecomércio-MT. Até lá, o jogo segue aberto — e cada conversa de bastidor pode mudar o rumo da sucessão.






