De Postagens Racistas ao Ataque a Bad Bunny: O Padrão de Hostilidade de Trump no Super Bowl LX
O rescaldo do Super Bowl LX não é apenas sobre futebol americano ou os recordes de audiência da NBC. Para o presidente Donald Trump, o evento tornou-se mais um palco para a propagação de retórica divisiva, reforçando um padrão de comportamento que mistura racismo e xenofobia, dias após uma polêmica envolvendo o casal Obama.
O Alvo da Vez: Bad Bunny e a Identidade Latina
Na noite de domingo (8), Trump utilizou sua rede Truth Social para detonar a performance de Bad Bunny, classificando o show como "absolutamente terrível" e uma "afronta à grandeza da América". O incômodo central parece ter sido a forte carga política e cultural da apresentação:
Barreira Linguística como Arma: Trump afirmou que "ninguém entende uma palavra do que esse cara diz", atacando o fato de o show ter sido majoritariamente em espanhol.
Ataque à Representatividade: Para o presidente, o astro porto-riquenho não representa os "parâmetros de excelência" dos EUA, o que críticos apontam como um claro viés xenofóbico contra a crescente influência latina no país.
Antecedentes: O Post sobre os Obama
A agressividade contra Bad Bunny não ocorre no vácuo. No último sábado (7), Trump enfrentou duras críticas após compartilhar um vídeo em que o ex-presidente Barack Obama e a ex-primeira-dama Michelle Obama eram retratados como macacos.
Embora tenha apagado o vídeo posteriormente, o presidente recusou-se a pedir desculpas, alegando que "analisa milhares de coisas" e não viu a parte racista antes de publicar.
Especialistas e grupos de direitos civis apontam que a reiteração desses ataques, agora direcionados a um artista latino que defende imigrantes e critica abertamente o ICE, consolida uma estratégia política baseada no preconceito.
Boicote e Contradição
Trump foi o primeiro presidente em exercício a não comparecer ao evento, preferindo um boicote pessoal devido à presença de Bad Bunny e da banda Green Day (que abriu a noite). No entanto, enquanto atacava o entretenimento como "repugnante", o governo injetava milhões em comerciais políticos durante a transmissão, evidenciando o uso do evento como ferramenta de propaganda estatal ao mesmo tempo em que desqualifica seus protagonistas culturais.
A repercussão negativa de Trump contrasta com o sucesso global da performance, que foi celebrada por milhões como um manifesto de resistência e orgulho latino frente a uma retórica cada vez mais hostil vinda da Casa Branca.






