Do Isolamento à Irrelevância: Como o "Fator Maduro" Perde Força na Nova Geopolítica do Petróleo
CARACAS – O cenário político venezuelano, que por uma década orbitou em torno da figura de Nicolás Maduro, vive hoje um processo acelerado de "desidratação". Enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, consolida uma aliança estratégica com a presidente interina, Delcy Rodríguez, o nome do antigo líder chavista – atualmente sob custódia internacional – deixa de ser o centro das decisões e passa a ser tratado como um entrave burocrático do passado.
Pragmatismo do Petróleo sobre a Ideologia
A mudança de tom em Washington é clara: o foco agora é a produção energética, não a retórica política. Ao classificar a relação com Delcy Rodríguez como "nota 10", Trump sinaliza que os Estados Unidos encontraram um interlocutor funcional para reabrir as torneiras de petróleo venezuelano.
A "irrelevância" de Maduro consolida-se em três frentes principais:
Controle Direto da Produção: O anúncio de novas perfurações por empresas americanas em solo venezuelano ignora as antigas estruturas de comando do madurismo. O acordo para importar US$ 2 bilhões em petróleo foca no futuro econômico, deixando o destino jurídico de Maduro em segundo plano nas mesas de negociação.
A Nova Face de Caracas: Delcy Rodríguez, embora mantenha uma retórica de lealdade histórica a Maduro, atua na prática como a gestora de um país que precisa desesperadamente de dólares. Sua aceitação do convite para ir à Casa Branca e o restabelecimento da embaixada dos EUA em Caracas são passos que Maduro nunca conseguiu concretizar.
Abandono Regional: Até mesmo aliados históricos na América Latina, como o Brasil, já sinalizam que o retorno de Maduro ao poder "não é prioridade". A região parece ter virado a página, buscando estabilidade comercial em vez de alinhamento ideológico.
O Silêncio de uma Era
Especialistas em geopolítica afirmam que a visita iminente de Trump à Venezuela servirá como o "prego final" no caixão político do antigo regime. "Maduro tornou-se um fantasma diplomático", afirma um analista do Conselho de Relações Exteriores. "Ele ainda é citado em discursos por Delcy para manter a base chavista unida, mas as decisões sobre o ouro, o petróleo e as fronteiras são tomadas sem que ele seja consultado."
O Que Esperar Agora?
Com a economia venezuelana começando a respirar através de parcerias diretas com Washington, a tendência é que o debate sobre "quem é o presidente legítimo" dê lugar a "como as cotas de exportação serão divididas". O fator Maduro, outrora o maior nó da América Latina, está sendo desatado pelo pragmatismo do mercado e pela necessidade americana de baixar os preços dos combustíveis internamente.






