Selic 2026: mercado aposta em ciclo de cortes após início de ano em 15%

Depois de começar 2026 no patamar de 15% ao ano, a taxa básica de juros deve entrar em trajetória de queda nos próximos meses. A expectativa do mercado financeiro é que o ciclo de cortes tenha início já em março, levando a Selic para 12,13% ao ano até dezembro, segundo a mediana das projeções do Relatório Focus.

A decisão final caberá ao Banco Central do Brasil, mas o cenário projetado pelos analistas indica que há espaço para uma flexibilização gradual da política monetária ao longo do ano.

Por que a Selic deve cair?

A principal razão para a previsão de cortes é o controle da inflação. O mercado estima que o IPCA feche 2026 em 3,91%, nível considerado compatível com a meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional.

Com a inflação mais comportada e expectativas ancoradas, o Banco Central teria margem para reduzir os juros sem comprometer o controle dos preços — movimento que também ajudaria a estimular a atividade econômica.

Principais projeções para dezembro de 2026

As estimativas variam entre as instituições financeiras, mas apontam para uma convergência em torno de 12% ao ano:

Mediana do mercado (Focus): 12,13%

UBS BB: 11,50%

Itaú: 12,25%

ANBIMA: 12,50%

O que muda na prática?

A expectativa de queda da Selic já começa a produzir efeitos antes mesmo do primeiro corte.

Renda fixa:
Títulos pós-fixados, como Tesouro Selic e CDBs atrelados a 100% do CDI, tendem a perder rentabilidade gradualmente conforme os juros recuam. Por outro lado, papéis pré-fixados podem se valorizar antecipadamente, já que travam taxas mais altas antes do ciclo de queda.

Crédito:
Financiamentos imobiliários e de veículos devem começar a apresentar condições mais favoráveis, especialmente a partir do segundo semestre de 2026, à medida que os cortes forem consolidados.

Consumo:
Com juros mais baixos, o custo do parcelamento e do rotativo do cartão tende a diminuir. O alívio nas prestações pode estimular o varejo e contribuir para a retomada do consumo das famílias.

Se confirmadas as projeções, 2026 pode marcar a virada do ciclo monetário — saindo de um ambiente de aperto para um cenário de estímulo gradual à economia.