O Poço Sem Fundo da Mobilidade: BRT já ultrapassa milhões e revive lembranças do VLT
A mobilidade urbana da Grande Cuiabá volta ao centro do debate público. O novo capítulo envolve o BRT (Bus Rapid Transit), que já acumula cifras milionárias e reacende na memória do contribuinte o prejuízo bilionário do VLT — obra que nunca chegou a transportar um único passageiro.
1. Novo gasto: terminais e tecnologia entram na conta
O Governo de Mato Grosso lançou um novo edital para a construção de três terminais — CPA, Porto e Várzea Grande — além do Centro de Controle Operacional (CCO).
O valor é uma tentativa de atrair empresas após o primeiro leilão não ter recebido propostas. O problema é que o novo aporte se soma a uma sequência de investimentos já elevados, enquanto a população ainda guarda a lembrança do cerca de R$ 1 bilhão aplicado no VLT, que terminou sem operação.
2. Quanto já foi empenhado no BRT?
Para entender a dimensão do investimento — ou do risco — é necessário considerar as principais frentes já contratadas:
Obras de infraestrutura (pistas e drenagem): contrato com o Consórcio Construtor BRT Cuiabá na casa das centenas de milhões de reais.
Compra de ônibus elétricos: aquisição de dezenas de veículos da BYD, com investimento também na casa das centenas de milhões (valor milionário por unidade).
Novo edital para os terminais e CCO: mais dezenas de milhões previstos.
Supervisão, projetos e contratos acessórios: custos adicionais estimados em milhões.
A soma parcial já alcança um montante expressivo, aproximando-se da casa do bilhão quando considerados todos os contratos e aditivos.
3. Comparação inevitável com o VLT
Enquanto o governo sustenta que o BRT é mais rápido, moderno e viável do que o VLT, parte da população observa os números com cautela. O argumento central dos críticos é que, ao somar o prejuízo herdado do VLT com os investimentos atuais no BRT, a Grande Cuiabá já comprometeu bilhões em mobilidade sem ainda entregar um sistema plenamente funcional à população.
4. O fantasma do prejuízo
Diferentemente do VLT, que foi paralisado por denúncias de corrupção e falhas estruturais, o BRT segue em execução. No entanto, carrega o estigma da desconfiança.
O novo aporte para os terminais é visto por parte da população como uma medida emergencial para evitar que as pistas fiquem prontas sem que haja estrutura adequada de embarque e controle operacional. A preocupação é clara: evitar que a história de obras caras e inacabadas volte a se repetir.
A mobilidade da Grande Cuiabá está, mais uma vez, diante de um teste decisivo. O desafio agora é transformar investimento em resultado concreto — e não em mais um capítulo de frustração para o contribuinte.







