Morre em Cuiabá a jornalista e empresária Lauristela Guimarães após luta contra o câncer

Cuiabá se despede de uma das figuras mais emblemáticas da comunicação regional; Lauristela uniu o rigor da notícia à sensibilidade do olhar humano.

O jornalismo mato-grossense perdeu, nesta segunda-feira (9), uma de suas mentes mais brilhantes e multifacetadas. Lauristela Guimarães, que faleceu aos 62 anos em decorrência de complicações de um câncer, deixa um legado que vai muito além das bancadas de telejornais: ela ajudou a moldar a forma como a notícia é entregue e consumida no estado.

A Era de Ouro na TV Vila Real

A trajetória de Lauristela confunde-se com a própria história da TV Vila Real (Grupo Gazeta). Entre 1992 e 2007, sua presença na tela tornou-se sinônimo de credibilidade. Como editora-chefe e apresentadora do Cadeia Neles, ela enfrentou o desafio de equilibrar o jornalismo policial com uma postura ética e firme, humanizando pautas que, muitas vezes, eram tratadas apenas com frieza.
Colegas de redação a descrevem como uma líder "exigente e generosa", capaz de identificar uma boa história onde outros viam apenas fatos. Sua voz marcante e sua dicção impecável foram a porta de entrada para a informação em milhares de lares cuiabanos por mais de uma década.

"Jornalista Não Morde": A Ponte com a Sociedade

Em 2000, Lauristela deu um passo inovador ao lançar o livro “Jornalista Não Morde: Guia Básico de Como Lidar com Jornalista”. A obra tornou-se um manual prático e bem-humorado para empresários, políticos e fontes em geral, desmistificando os bastidores da profissão e defendendo a transparência na relação entre a imprensa e a sociedade.
Com o livro, ela mostrou que o jornalismo deve ser acessível e que a boa comunicação é uma via de mão dupla.
Do Facto à Contemplação: A Revista Camalote
Após deixar o dia a dia frenético das redações de TV, Lauristela não abandonou a escrita. Ela fundou a revista Camalote, um projeto que refletia sua maturidade profissional. Na publicação, ela trocou o imediatismo do "furo" jornalístico por matérias profundas sobre cultura, turismo e o estilo de vida pantaneiro e chapadense.
A revista foi o embrião de sua transição para o empreendedorismo em Chapada dos Guimarães, onde fundou o Château Camalote, mas sem nunca perder o "faro" de repórter que a acompanhou até seus últimos dias.

Reconhecimento

Em nota oficial, o Governo de Mato Grosso lamentou a perda, destacando que Lauristela foi uma profissional "talentosa e sensível". Para os novos jornalistas, ela permanece como um exemplo de que é possível exercer a profissão com autoridade sem perder a elegância e a empatia.
O velório acontece hoje, na Capela Jardins, onde amigos, familiares e admiradores prestam as últimas homenagens à mulher que ensinou Mato Grosso a entender melhor o valor da notícia.