Sérgio Ricardo liga impacto do Bolsa Família no mercado de trabalho em MT: Pessoa não quer ser registrada
Presidente do TCE-MT afirma que modelo atual de políticas assistenciais contribui para a escassez de mão de obra e dificulta obras estratégicas no estado.
CUIABÁ – O presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), conselheiro Sérgio Ricardo, fez críticas ao modelo atual das políticas assistenciais no Brasil e apontou possíveis impactos no mercado de trabalho mato-grossense. Segundo ele, programas como o Bolsa Família estariam contribuindo para a dificuldade de contratação formal em alguns setores da economia.
A declaração foi motivada pelas dificuldades relatadas por empresas que atuam em grandes projetos de infraestrutura no estado. De acordo com o conselheiro, a Rumo — gigante do setor de logística responsável pelas obras da primeira ferrovia estadual — tem enfrentado escassez de trabalhadores e, em alguns casos, precisado buscar mão de obra em outras regiões do país.
Resistência ao emprego formal
Na avaliação de Sérgio Ricardo, existe um descompasso entre a oferta de vagas e o interesse de parte dos trabalhadores em assumir empregos com carteira assinada. Ele afirma que muitos beneficiários de programas sociais temem perder o auxílio ao ingressar no mercado formal.
“Hoje você não consegue contratar alguém que recebe o Bolsa Família e registrar em carteira, porque a pessoa não quer ser registrada. Falta mão de obra em Mato Grosso”, afirmou.
O presidente do TCE também citou dados nacionais para contextualizar a discussão sobre emprego formal no país.
“O Brasil tem mais de 200 milhões de habitantes e cerca de 40 milhões de trabalhadores com carteira assinada. Para gerar renda, é preciso trabalhar. Não existe outra forma de produzir renda sem trabalho”, declarou.
Impacto em obras e projetos
Segundo o conselheiro, a escassez de mão de obra tem reflexos diretos no andamento de obras públicas e privadas consideradas estratégicas para o desenvolvimento de Mato Grosso. Ele afirmou que empreiteiras frequentemente relatam dificuldades para preencher vagas em serviços ligados à construção civil e infraestrutura.
Entre os impactos citados estão atrasos em obras de pavimentação, construção de pontes e projetos logísticos, que acabam tendo seus cronogramas comprometidos pela falta de trabalhadores disponíveis.
Na avaliação de Sérgio Ricardo, Mato Grosso vive atualmente um cenário próximo ao pleno emprego. Ainda assim, ele defende que as políticas públicas sejam repensadas para evitar que programas assistenciais desestimulem a formalização no mercado de trabalho.
Para o presidente do Tribunal, o desafio está em equilibrar a proteção social com incentivos que valorizem o trabalho formal como caminho de geração de renda e ascensão econômica.







