PROMESSA VS. REALIDADE: Brasil deixa o Top 10 das economias enquanto a Rússia, em guerra, avança

Com o fechamento dos dados econômicos de 2025, o Brasil encerra o ano fora do grupo das dez maiores economias do mundo. O país caiu para a 11ª posição no ranking global de PIB nominal, movimento que expõe o contraste entre o discurso de retomada econômica e os números efetivos da economia.


O slogan “o Brasil voltou”, amplamente utilizado pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva, encontra um obstáculo concreto nos dados internacionais. Depois de um breve fôlego em 2024, a economia brasileira perdeu espaço no ranking global em 2025, sendo ultrapassada pelo Canadá e também pela Rússia.

A ultrapassagem russa tem peso simbólico no debate político e econômico. Mesmo enfrentando sanções internacionais e os custos de um conflito prolongado no Leste Europeu, a economia russa apresentou desempenho suficiente para alcançar a 9ª posição no ranking global de PIB nominal.

Enquanto isso, o crescimento do Brasil desacelerou. Após avançar 3,4% em 2024, a economia brasileira registrou expansão de cerca de 2,3% em 2025. Embora o resultado permaneça positivo, ele indica perda de ritmo justamente em um momento em que o governo defendia a consolidação de um novo ciclo de crescimento.

A ultrapassagem russa

O avanço da Rússia no ranking tornou-se o ponto mais sensível para a narrativa econômica do governo. Mesmo sob sanções impostas por países ocidentais, o país manteve atividade econômica sustentada por investimentos estatais, gastos militares elevados e reorientação do comércio para mercados asiáticos.

Para analistas, o contraste com o desempenho brasileiro reforça um debate recorrente sobre a capacidade do país de transformar crescimento pontual em expansão estrutural.

Promessas de campanha e pressão fiscal

Outro ponto que alimenta críticas à condução econômica é a situação das contas públicas. A proposta de um Estado mais ativo como indutor do crescimento esbarra em pressões fiscais persistentes.

Dados de 2025 indicam que empresas estatais registraram um déficit primário de aproximadamente R$ 18,5 bilhões, o maior dos últimos anos. Economistas apontam que esse resultado levanta dúvidas sobre a eficiência do gasto público e sobre a capacidade do Estado de impulsionar produtividade sem ampliar desequilíbrios fiscais.

No ranking de crescimento real do último trimestre de 2025, o Brasil apareceu na 39ª posição entre 50 países analisados, um resultado distante da expectativa de liderança entre economias emergentes.

Entraves estruturais

Especialistas também destacam problemas estruturais que continuam limitando o potencial de expansão da economia brasileira. Entre os principais fatores apontados estão:

o chamado Custo Brasil, que mantém elevada a carga burocrática e tributária sobre empresas;

a percepção de insegurança jurídica, frequentemente citada por investidores estrangeiros;

a dependência de commodities, com menor diversificação industrial e tecnológica;

a ausência de reformas estruturais mais profundas, especialmente na administração pública.

Conclusão

Ao terminar 2025 como a 11ª maior economia do planeta, o Brasil permanece entre os maiores mercados do mundo, mas fora do grupo das dez principais potências econômicas globais.

Para um governo que construiu sua narrativa política em torno da retomada do protagonismo internacional e da melhoria das condições econômicas internas, a queda no ranking tem peso simbólico. Mais do que um detalhe estatístico, ela reacende o debate sobre a capacidade do país de converter potencial econômico em crescimento consistente e duradouro.