O protagonismo feminino na construção de uma justiça mais humana a partir da psicologia.
O mês de março é tradicionalmente um período de reflexão sobre o papel da mulher na
sociedade e sua presença em diferentes áreas profissionais. Ao longo das últimas décadas,
as mulheres têm ampliado sua participação em diversos campos do conhecimento,
contribuindo de forma significativa para o desenvolvimento social, científico e
institucional.
No campo da Psicologia Jurídica, essa presença feminina também se torna cada vez mais
relevante. Trata-se de uma área que estabelece a interface entre a Psicologia e o Direito,
contribuindo para a compreensão de comportamentos, relações e aspectos emocionais que
muitas vezes estão presentes nas demandas levadas ao sistema de justiça.
A Psicologia Jurídica surge da necessidade de analisar, de forma técnica e científica, os
fatores psicológicos envolvidos em conflitos que chegam ao Judiciário. Em muitos
processos, não estão em discussão apenas fatos e documentos, mas também relações
humanas complexas, histórias de vida, vínculos familiares, emoções e comportamentos
que precisam ser compreendidos de maneira responsável e fundamentada.
Dentro desse contexto, existe uma função ainda pouco conhecida por grande parte da
sociedade, mas extremamente importante para o processo judicial: o trabalho do
assistente técnico em Psicologia.
O assistente técnico é um profissional especializado que atua auxiliando uma das partes
do processo ou seus representantes legais, oferecendo uma análise técnica sobre os
aspectos psicológicos envolvidos no caso. Diferentemente do perito judicial, que é
nomeado pelo juiz, o assistente técnico atua acompanhando o processo sob a perspectiva
científica da parte que o contrata, sempre com base nos princípios éticos e técnicos da
profissão.
Entre suas principais atribuições estão a análise de documentos e laudos psicológicos
presentes no processo, a elaboração de pareceres técnicos, a formulação de quesitos ao
perito judicial e a avaliação crítica de perícias psicológicas já realizadas.
Esse trabalho contribui para ampliar a compreensão sobre os aspectos emocionais e
comportamentais presentes nas demandas judiciais, oferecendo subsídios técnicos que
podem auxiliar advogados e magistrados na análise do caso.
A atuação da Psicologia Jurídica pode ocorrer em diferentes áreas do Direito. No Direito
de Família, por exemplo, é comum a presença de avaliações psicológicas em processos
que envolvem guarda de filhos, regulamentação de convivência familiar, conflitos
parentais e situações relacionadas à alienação parental.
Na esfera cível, a Psicologia pode contribuir na análise de danos psicológicos, sofrimento
emocional e impactos comportamentais decorrentes de determinadas experiências vividas
pelas partes envolvidas no processo.
Já no âmbito trabalhista, a atuação pode envolver a análise de situações relacionadas ao
assédio moral, assédio sexual e ao adoecimento psíquico decorrente das relações de
trabalho.
Na área criminal, a Psicologia Jurídica também pode colaborar na análise de
comportamentos, dinâmicas emocionais e outros aspectos psicológicos que auxiliam na
compreensão de determinados contextos presentes nos processos.
Nesse cenário, a presença da mulher na Psicologia Jurídica representa não apenas um
avanço na ocupação de espaços profissionais, mas também uma contribuição significativa
para o fortalecimento de um olhar técnico, sensível e humanizado dentro do sistema de
justiça.
A atuação feminina nessa área reforça a importância da integração entre diferentes
campos do conhecimento e demonstra como a compreensão do comportamento humano
pode contribuir para decisões judiciais mais conscientes e fundamentadas.
A Psicologia Jurídica, portanto, não apenas aproxima duas áreas do conhecimento, mas
também amplia a capacidade do sistema de justiça de compreender as complexidades das
relações humanas que chegam ao Judiciário.
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Sobre a autora
Elineia De Paula é psicóloga com quase dez anos de formação e experiência profissional.
Possui diversas formações complementares na área de perícia psicológica e avaliação
psicológica, consolidando uma atuação técnica qualificada no campo da Psicologia
Jurídica.
Atua no desenvolvimento de avaliações psicológicas no contexto judicial, com
experiência na elaboração de laudos e pareceres técnicos fundamentados. Ao longo de
sua trajetória profissional, já atuou em inúmeros casos, realizando análises técnicas
voltadas à compreensão da personalidade, do comportamento humano e das dinâmicas
psicológicas presentes em demandas judiciais.
Também exerce a função de assistente técnica em processos nas esferas cível, familiar,
trabalhista e criminal, oferecendo suporte técnico especializado para subsidiar análises e
decisões no sistema de justiça.
CRP: 18/03758
Email: elineia.psicojuridica@gmai.com
Telefone: 65 9 9930.3237







