Estudo da FIPE não inclui auditoria no DAE e aponta perdas de 60% na rede em Várzea Grande
Durante a apresentação do estudo técnico do Plano de Saneamento Básico de Várzea Grande, o representante da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), André Luis Chagas, afirmou, na manhã desta sexta-feira (20.03), que o diagnóstico elaborado não inclui auditoria financeira do Departamento de Água e Esgoto (DAE). A declaração foi feita em resposta aos questionamentos da vereadora Gisa Barros (PSB).
Segundo Chagas, o escopo do trabalho está voltado exclusivamente à busca de soluções para o abastecimento de água e esgotamento sanitário no município, incluindo a possibilidade de concessão à iniciativa privada.
“O nosso escopo não inclui auditoria do DAE ou verificação de problemas financeiros. O objetivo é buscar uma solução para o atendimento de água e esgoto, possivelmente com participação de uma empresa privada, por meio de concessão”, explicou.
O representante também fez questão de diferenciar a proposta em debate de um processo de privatização. “Isso não significa vender o DAE. São coisas distintas”, ressaltou.
Chagas destacou ainda que a situação econômico-financeira da autarquia poderá ser analisada em outro momento, embora não faça parte do estudo atual. Ele reconheceu, no entanto, que as condições financeiras impactam diretamente a capacidade de prestação dos serviços.
“Essa é uma discussão que precisa ser feita separadamente. A situação do DAE hoje compromete a execução dos serviços e o atendimento à população”, afirmou.
Sobre o dado apresentado no estudo, de que cerca de 97% da população teria acesso à rede de abastecimento, o representante esclareceu que o índice se refere à proximidade da infraestrutura, e não ao fornecimento efetivo de água.
“Quando dizemos que 97% têm acesso à rede, significa que a estrutura passa próxima das residências. Não quer dizer que a água chega na torneira”, pontuou.
Ele também explicou que a falta de abastecimento em diversas regiões está ligada às perdas no sistema, estimadas em cerca de 60%. Vazamentos e falhas na rede são apontados como os principais responsáveis pelo problema.
“Existem os canos, existe a rede, mas a água se perde no caminho. Isso explica por que há regiões com desperdício visível e outras sem abastecimento”, disse.
Por fim, Chagas afirmou que os dados apresentados refletem a realidade identificada nas oficinas realizadas no município e que o objetivo do estudo é justamente apontar soluções para melhorar a prestação dos serviços.







