Cesta básica ultrapassa R$ 900 pela primeira vez em Cuiabá e pressiona famílias
Levantamento do IPF-MT aponta que conjunto de alimentos essenciais chegou a R$ 913,47 na terceira semana de maio; batata e feijão lideram as altas.
CUIABÁ — O custo da cesta básica em Cuiabá atingiu um marco histórico e ultrapassou, pela primeira vez, a barreira dos R$ 900. Levantamento divulgado pelo Instituto de Pesquisa e Análise da Fecomércio Mato Grosso (IPF-MT) mostrou que o conjunto de alimentos essenciais chegou a R$ 913,47 na terceira semana de maio.
O aumento foi de 1,86% em relação à semana anterior. Na comparação com o mesmo período do ano passado, a alta acumulada é de 9,58%. Em maio de 2025, a cesta custava R$ 833,59.
Segundo o presidente da Fecomércio-MT, Wenceslau Júnior, a escalada dos preços impacta principalmente as famílias de menor renda, que acabam destinando uma parcela cada vez maior do orçamento apenas para alimentação.
Os principais responsáveis pela nova disparada foram os produtos in natura, mais vulneráveis às condições climáticas e oscilações na produção.
A batata liderou os aumentos da semana, com alta de 9,04%, chegando ao preço médio de R$ 9,10 o quilo. De acordo com o IPF-MT, o avanço é consequência da reta final da colheita e das chuvas registradas nas regiões produtoras, fatores que reduziram o ritmo da coleta e afetaram os estoques disponíveis nos mercados.
O feijão também pesou no bolso do consumidor. O grão teve alta de 2,14% e passou a custar, em média, R$ 8,16/kg na capital. Além das dificuldades no pós-colheita, os custos de armazenamento e conservação contribuíram para pressionar os preços. No acumulado de 12 meses, o produto já registra aumento de 33,03%.
“Os produtos que sofrem grande influência climática sustentaram a quebra de recorde, mesmo com a retração registrada em outras frentes”, afirmou Wenceslau Júnior em nota divulgada à imprensa.
Apesar da alta expressiva da cesta, alguns itens apresentaram queda e ajudaram a evitar um aumento ainda maior. O café em pó registrou a nona redução semanal consecutiva, com recuo de 1,96%, sendo vendido a uma média de R$ 29,98 o pacote de 500 gramas — valor 12,11% menor que o registrado no mesmo período do ano passado.
Outros produtos que também apresentaram redução foram a carne bovina (-0,89%), o açúcar (-2,07%), o arroz (-0,58%) e a banana (-1,60%).
Mesmo com essas retrações pontuais, o avanço dos hortifrutis manteve a pressão sobre o custo de vida na capital. Com o novo recorde, Cuiabá segue entre as cidades com a alimentação mais cara do país, ao lado de grandes centros como São Paulo e Rio de Janeiro.








