EUA citam Mato Grosso em tarifaço contra o Brasil, mas agronegócio escapa das principais sanções
Relatório da administração Trump menciona incentivos fiscais, etanol e questões ambientais no estado; soja, milho, carnes e fertilizantes ficam fora da lista de sobretaxação
CUIABÁ – Mato Grosso apareceu nominalmente em um relatório do governo dos Estados Unidos que propõe a aplicação de tarifas alfandegárias de até 25% sobre produtos brasileiros. A medida, apresentada pela administração do presidente Donald Trump com base na Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana, amplia a pressão comercial sobre o Brasil e coloca o estado no centro de uma disputa envolvendo incentivos fiscais, políticas ambientais e o mercado de biocombustíveis.
Apesar da citação direta ao estado, o impacto imediato para a economia mato-grossense tende a ser limitado. Isso porque a proposta divulgada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) preserva justamente os principais produtos da pauta exportadora do agronegócio local, como soja, milho, café e carnes.
Segundo o documento, Mato Grosso entrou no radar de Washington por conta de programas estaduais de incentivo econômico e de mecanismos de regularização ambiental que, na avaliação dos norte-americanos, poderiam gerar distorções comerciais. O relatório também faz referências à fiscalização do desmatamento ilegal na região amazônica e aponta preocupações relacionadas às políticas ambientais brasileiras.
Outro foco da insatisfação dos Estados Unidos está no setor de biocombustíveis. Produtores norte-americanos criticam a falta de reciprocidade tarifária para o etanol produzido nos EUA e demonstram preocupação com a rápida expansão da indústria de etanol de milho no Centro-Oeste brasileiro, especialmente em Mato Grosso, que se consolidou como um dos principais polos do segmento.
Exceções aliviam o agronegócio
Embora o anúncio tenha gerado preocupação inicial entre exportadores, a lista preliminar de exceções trouxe alívio para os setores mais relevantes da economia mato-grossense.
Entre os produtos que permaneceram fora da proposta de sobretaxação estão:
* Soja, milho, café e outros cereais;
* Carnes bovinas selecionadas;
* Fertilizantes e defensivos químicos orgânicos;
* Minerais estratégicos, incluindo terras raras;
* Componentes aeroespaciais produzidos pela Embraer.
A exclusão desses itens reduz significativamente o potencial impacto econômico sobre Mato Grosso, estado que lidera a produção nacional de grãos e possui forte participação nas exportações brasileiras.
Disputa comercial e pressão política
Analistas avaliam que a inclusão de Mato Grosso no relatório possui forte componente político e estratégico. Além das críticas ambientais, a medida sinaliza uma tentativa dos Estados Unidos de pressionar o Brasil em setores considerados sensíveis para a competitividade norte-americana, especialmente no agronegócio e na produção de energia renovável.
O governo brasileiro ainda estuda uma resposta oficial ao documento. Enquanto isso, representantes do setor produtivo acompanham as negociações com cautela, mas destacam que a manutenção das principais commodities fora da lista de taxação evita, ao menos por enquanto, impactos diretos sobre as exportações do estado.
Para Mato Grosso, o episódio serve como alerta sobre o crescente peso das questões ambientais, energéticas e comerciais nas relações internacionais e reforça a importância estratégica do estado no cenário global do agronegócio.






