Presidente da Fecomércio-MT, José Wenceslau, dispara contra Mauro Mendes e acusa gestão de sufocar o comércio mato-grossense
Líder do setor empresarial afirma que decisões fiscais do ex-governador reduziram o poder de compra dos servidores, prejudicaram as vendas e ampliaram a insatisfação de comerciantes e trabalhadores em Mato Grosso
CUIABÁ – O presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Mato Grosso (Fecomércio-MT), José Wenceslau de Souza Júnior, protagonizou um dos mais duros ataques já feitos por uma liderança empresarial à gestão do ex-governador Mauro Mendes (União Brasil). Em declarações que repercutiram nos bastidores políticos do estado, Wenceslau criticou a condução administrativa do ex-chefe do Executivo e classificou Mendes como um "bobó cheira-cheira", expressão popular cuiabana utilizada para definir alguém distante da realidade.
As críticas expõem uma crescente insatisfação de setores ligados ao comércio e aos serviços, que atribuem parte das dificuldades enfrentadas pela economia local às políticas adotadas durante o governo estadual.
Segundo Wenceslau, um dos principais fatores de desgaste foi a condução da Revisão Geral Anual (RGA) dos servidores públicos estaduais. Para o dirigente da Fecomércio, a limitação dos reajustes impactou diretamente o poder de compra de milhares de famílias mato-grossenses.
A avaliação é que a redução da capacidade de consumo dos servidores produziu efeitos imediatos sobre a economia da Baixada Cuiabana, região que possui forte dependência da movimentação financeira gerada pelo funcionalismo público. Com menos dinheiro circulando, comerciantes registraram queda nas vendas e aumento das dificuldades financeiras.
Além da política econômica, o presidente da Fecomércio também criticou a forma de governar de Mauro Mendes. Segundo ele, o ex-governador teria adotado uma postura centralizadora e pouco aberta ao diálogo com representantes dos setores produtivos e da sociedade organizada.
Nos bastidores, lideranças empresariais e sindicais avaliam que o desgaste acumulado ao longo dos últimos anos poderá produzir reflexos no cenário eleitoral de 2026. Entre os segmentos mais insatisfeitos estariam servidores públicos, aposentados, pensionistas e empresários que dependem diretamente do mercado consumidor local.
Para críticos da gestão, o episódio reforça o debate sobre os limites das políticas de austeridade fiscal quando implementadas sem mecanismos que preservem a atividade econômica e o consumo interno. A discussão volta ao centro das atenções em um momento em que Mato Grosso já vive as articulações para a próxima sucessão estadual.
As declarações de José Wenceslau ampliam a pressão sobre o grupo político ligado ao ex-governador e revelam que parte importante do setor produtivo busca maior participação nas decisões econômicas que afetam diretamente a geração de empregos, renda e investimentos no estado.






