Os "Dois Chuchus": Mauro Mendes aposta em Pivetta e Fábio Garcia para manter grupo no poder em Mato Grosso
Aliança entre governador e deputado federal une dois perfis técnicos e discretos na tentativa de consolidar a sucessão governista
CUIABÁ – Nos bastidores da política mato-grossense, uma definição começa a ganhar força para a disputa pelo Palácio Paiaguás em 2026. O ex-governador Mauro Mendes (União Brasil) trabalha para consolidar uma chapa formada pelo governador Otaviano Pivetta (Republicanos) e pelo deputado federal Fábio Garcia (União Brasil), uma composição que alguns aliados já apelidaram de "os dois chuchus".
A expressão faz referência ao apelido nacionalmente conhecido do vice-presidente Geraldo Alckmin, frequentemente associado a políticos de perfil moderado, técnico e pouco afeitos ao confronto ideológico. No caso mato-grossense, tanto Pivetta quanto Garcia carregam características semelhantes: gestores pragmáticos, discretos e mais identificados com resultados administrativos do que com discursos inflamados.
A estratégia de Mauro Mendes vai além da simples formação de uma chapa. O objetivo é garantir a continuidade do projeto político iniciado em 2019, mantendo unidos Republicanos e União Brasil em torno de uma candidatura competitiva ao Governo do Estado.
Nos bastidores, a avaliação é que a dupla transmite segurança ao setor produtivo, ao empresariado e aos eleitores que aprovam o modelo de gestão implantado nos últimos anos. Pivetta representa a continuidade da atual administração, enquanto Fábio Garcia simboliza a renovação controlada dentro do próprio grupo.
Além disso, a presença de Garcia como vice fortaleceria o União Brasil dentro do governo e o colocaria em posição privilegiada na linha sucessória estadual. O movimento também serviria para reduzir disputas internas e evitar fragmentações que possam beneficiar adversários na corrida eleitoral.
Apesar do avanço das conversas, o acordo ainda enfrenta resistências. O senador Jayme Campos segue defendendo que o União Brasil apresente candidatura própria ao Governo de Mato Grosso, posição que cria divergências dentro da legenda e dificulta a construção de um consenso.
Publicamente, Fábio Garcia evita confirmar qualquer entendimento. O deputado afirma que sua prioridade é a reeleição à Câmara Federal e sustenta que o partido precisa resolver suas questões internas antes de discutir espaços em uma chapa majoritária.
Enquanto isso, Mauro Mendes atua como principal articulador do projeto. Pré-candidato ao Senado, o ex-governador busca construir um palanque sólido para 2026 e vê na união entre Pivetta e Garcia a melhor alternativa para preservar a influência de seu grupo político no comando do Estado.
Se confirmada, a chapa terá uma característica incomum para os padrões eleitorais brasileiros: a ausência de figuras conhecidas pelo embate político. Em vez de discursos agressivos ou posições radicais, a aposta seria justamente em dois candidatos identificados pela gestão, pela discrição e pela capacidade administrativa.
Resta saber se, em um ambiente eleitoral cada vez mais polarizado, a estratégia dos "dois chuchus" será suficiente para conquistar o eleitorado mato-grossense e garantir a continuidade do atual grupo no poder.






