Emanuel nega "rasteira" em Natasha e diz que candidatura ao Governo pertence ao PSD

Ex-prefeito afirma que foi convocado por lideranças da legenda para integrar grupo de pré-candidatos e defende que decisão sobre o nome ao Palácio Paiaguás seja tomada de forma democrática durante a convenção estadual

A disputa interna do PSD pela candidatura ao Governo de Mato Grosso ganhou um novo capítulo com a entrada do ex-prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro, no grupo de pré-candidatos da legenda. Em entrevista ao Olhar Direto, ele afirmou que aceitou participar da construção do projeto após ser procurado por lideranças e vereadores do partido.

Nos bastidores, a movimentação já vinha sendo comentada nas últimas semanas e passou a dividir espaço com o projeto político da médica Natasha Slhessarenko, que há mais tempo articula sua pré-candidatura dentro da sigla.

Emanuel rejeitou qualquer interpretação de que sua entrada na disputa tenha como objetivo enfraquecer Natasha e afirmou que o debate faz parte do processo democrático do partido.

"O que tem de ilegítimo? Ilegítimo é não dar voz ao partido", declarou.

Segundo o ex-prefeito, sua inclusão no grupo de pré-candidatos ocorreu após lideranças partidárias apresentarem documentos pedindo que seu nome também fosse considerado na construção do projeto eleitoral do PSD.

"Eu não estou me apresentando como candidato. Fui convocado pelas bases do partido, por lideranças partidárias e por vereadores", afirmou.

Apesar da movimentação, Emanuel garantiu que a pré-candidatura de Natasha continua sendo respeitada e que a definição do nome que representará o PSD ocorrerá apenas durante a convenção estadual.

De acordo com ele, o presidente estadual da legenda, senador Carlos Fávaro, foi informado sobre a mobilização e reconheceu que não poderia ignorar a manifestação das bases partidárias.

"O partido me colocou como pré-candidato também. Como estamos em um período de pré-candidaturas, não há nada que vede isso. É salutar discutir democraticamente novos nomes", disse.

Emanuel também defendeu que o PSD construa uma candidatura de oposição ao atual grupo político que governa Mato Grosso e ressaltou que o escolhido deverá ser aquele que reunir melhores condições eleitorais.

"Aquele que estiver em melhor condição pode ser a Natasha, pode ser eu ou pode ser outro nome que surja", afirmou.

Ao comentar o cenário político, o ex-prefeito comparou a situação vivida pelo PSD com a do União Brasil, onde diferentes alas defendem nomes distintos para a disputa ao Governo do Estado.

Mesmo diante da disputa interna, Emanuel descartou qualquer clima de rompimento e voltou a negar que sua pré-candidatura represente uma "rasteira" contra Natasha.

"Não tem rasteira, até porque esse é o sentimento do partido. A candidatura pertence ao partido, não pertence a mim, nem ao Fávaro, nem à Natasha", declarou.

Para o ex-prefeito, impedir que novos nomes sejam debatidos dentro da legenda significaria ignorar o posicionamento das próprias bases.

"As forças representativas do partido lançam um documento pedindo a inclusão de mais um nome. O que tem de puxada de tapete aí? O que tem de ilegítimo? Ilegítimo é não dar voz ao partido", concluiu.