México taxa produtos brasileiros e acende alerta no comércio exterior
Nova política tarifária entra em vigor e pode afetar exportações de setores como calçados, têxteis, automotivo e brinquedos
O México iniciou 2026 com uma mudança importante em sua política comercial. Entraram em vigor, em 1º de janeiro, novas tarifas de importação sobre produtos provenientes do Brasil, da China e de outros países com os quais os mexicanos não mantêm acordos de livre comércio. A medida faz parte de um pacote aprovado pelo Congresso mexicano no fim de 2025 e tem como objetivo fortalecer a indústria nacional e proteger empregos locais.
A decisão ocorre em meio ao cenário de intensificação das disputas comerciais globais e também é vista por analistas como um movimento de aproximação do México com os Estados Unidos, principal parceiro econômico do país, às vésperas da revisão do acordo comercial T-MEC.
Segundo estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), aproximadamente 15% das exportações brasileiras destinadas ao México podem ser impactadas pelas novas tarifas. Entre os segmentos potencialmente mais afetados estão os de calçados, autopeças, produtos têxteis, brinquedos e outros bens manufaturados.
Embora o governo mexicano afirme que a medida não foi direcionada especificamente ao Brasil, o país está entre os atingidos por não possuir um tratado de livre comércio com o México. As autoridades mexicanas defendem que a iniciativa busca preservar cerca de 350 mil empregos e impulsionar a reindustrialização nacional.
Brasil acompanha cenário
O governo brasileiro informou, ainda em dezembro de 2025, que iniciou conversas diplomáticas com autoridades mexicanas para avaliar os impactos das mudanças tarifárias e buscar alternativas para minimizar os efeitos sobre as exportações nacionais.
Apesar do novo cenário, o México continua sendo um parceiro relevante para o agronegócio brasileiro. Em 2025, as exportações agropecuárias do Brasil para o mercado mexicano alcançaram cerca de US$ 3,1 bilhões, com destaque para carnes, café, grãos e outros produtos do setor.
Guerra comercial ganha novos capítulos
A adoção das tarifas pelo México ocorre em um momento de crescente protecionismo internacional. Além das medidas mexicanas, o Brasil também enfrenta pressões comerciais de outros mercados importantes, especialmente dos Estados Unidos, ampliando os desafios para os exportadores brasileiros em 2026.






