Ilde Taques mantém candidatura à presidência da Câmara e diz que Dilemário está decepcionado com grupo de Paula
Vereador afirma que liminar do TJMT não altera disputa pela Mesa Diretora e aponta descumprimento de acordo político envolvendo a atual presidente.
A decisão da Justiça que suspendeu a votação do projeto de alteração do Regimento Interno da Câmara Municipal de Cuiabá não mudou os planos do vereador Ilde Taques (Podemos), que reafirmou, nesta quinta-feira (16), sua candidatura à presidência da Mesa Diretora para o próximo biênio.
Em entrevista, o parlamentar afirmou que respeita a decisão liminar do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), mas disse acreditar que, no julgamento do mérito, a Corte reconhecerá a autonomia do Poder Legislativo para deliberar sobre mudanças em seu Regimento Interno.
"Confiamos muito na Justiça. O desembargador apenas suspendeu a votação de hoje para aguardar o mérito da ação. Eu acredito que a Justiça vai entender que o Parlamento tem autonomia e que quem decide sobre mudanças no Regimento Interno somos nós, vereadores", declarou.
Para Ilde, a decisão judicial não fortalece a candidatura da atual presidente da Câmara, Paula Calil (PL). Segundo ele, a liminar evidencia o descumprimento de um acordo político firmado dentro do grupo que apoia a parlamentar.
De acordo com o vereador, havia o compromisso de que, caso Paula não reunisse os votos necessários para disputar a reeleição, o vereador Dilemário Alencar seria o nome escolhido pelo grupo.
"Eu acho que o ponto negativo é para a campanha deles. Eles tinham um combinado com o vereador Dilemário. Se a presidente Paula não conseguisse os votos necessários, ele seria o candidato do grupo. Pelo que observamos, esse acordo não foi cumprido", afirmou.
Ilde também disse que Dilemário estaria insatisfeito com a condução das articulações políticas.
"Pelas conversas que tivemos hoje, o Dilemário está bem chateado. Ele está decepcionado porque houve um acordo. Ele abriu mão da candidatura para integrar esse grupo e seria o plano B, mas todas as movimentações continuam sendo para manter a Paula como cabeça de chapa", disse.
Ao ser questionado sobre a atuação do Judiciário em uma matéria relacionada ao funcionamento interno da Câmara, o vereador afirmou que respeita a decisão, mas voltou a defender a independência entre os Poderes.
"O Judiciário faz o trabalho dele e nós respeitamos a decisão. Mas continuo confiante de que o mérito será favorável à autonomia da Câmara", pontuou.
Disputa segue aberta
Sobre a eleição da Mesa Diretora, Ilde avaliou que a tentativa da base do prefeito Abilio Brunini (PL) de concentrar apoio na candidatura de Paula Calil acabou provocando um efeito contrário ao esperado.
Segundo ele, o grupo que sustenta sua candidatura reúne vereadores independentes, da oposição e também parlamentares da base governista que não concordaram com a condução das articulações.
"Eu nunca fui o candidato do prefeito. Ele sempre teve uma candidata preferida e eu respeitei isso. O nosso grupo nasceu com vereadores independentes, da oposição e também da base. À medida que alguns não aceitaram apoiar a candidatura da Paula, foram sendo afastados da base. Pelo que estamos observando, essa estratégia acabou enfraquecendo a governabilidade do prefeito dentro da Câmara", concluiu.
Com a suspensão da votação do projeto que altera o Regimento Interno, a disputa pela presidência da Câmara de Cuiabá permanece indefinida, enquanto as negociações e articulações políticas continuam nos bastidores.






