Natasha é oficializada candidata ao Governo de Mato Grosso e coloca frente de centro-esquerda na disputa pelo Paiaguás

Com União Brasil ao lado de Pivetta e federação de esquerda oficializando Natasha, atenção do meio político se volta agora para a decisão do MDB, que pode redefinir o equilíbrio da disputa

As convenções partidárias realizadas nesta semana em Cuiabá começaram a desenhar de forma mais nítida o tabuleiro da sucessão estadual em Mato Grosso. Enquanto o grupo governista consolidou a candidatura de Otaviano Pivetta (Republicanos) com o apoio do União Brasil, a Federação Brasil da Esperança — formada por PT, PCdoB e PV, em aliança com PSD, PSB e PDT — oficializou Natasha Slhessarenko (PSD) como candidata ao Governo do Estado, marcando a entrada definitiva do campo de centro-esquerda na disputa.

Realizada no Hotel Fazenda Mato Grosso, a convenção também confirmou o advogado Diogo Botelho (PDT) como candidato a vice-governador. Para o Senado, a coligação apostou em uma chapa de peso ao homologar o senador Carlos Fávaro (PSD), que busca a reeleição, e o ex-governador Pedro Taques (PSB).

Mais do que a formalização das candidaturas, a convenção simboliza a tentativa de reunir partidos que tradicionalmente atuavam em campos distintos em torno de um discurso de oposição ao bloco liderado pelo governador Mauro Mendes. A presença de Fávaro, ministro licenciado da Agricultura, reforça a conexão da campanha com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto Pedro Taques retorna ao cenário eleitoral após anos distante das disputas majoritárias.

Apesar da estrutura política construída pela federação, analistas avaliam que o principal desafio do grupo será ampliar a capilaridade no interior do Estado, onde Pivetta e Wellington Fagundes concentram maior presença política e redes de apoio já consolidadas.

Calendário decisivo

Embora parte das peças já tenha sido posicionada, o xadrez eleitoral ainda está longe de ser encerrado. As próximas convenções podem alterar significativamente o cenário.

No sábado (1º), o Avante realiza sua convenção estadual, oportunidade em que deve reforçar o projeto do partido para o Senado com Antonio Galvan.

Na segunda-feira (4), será a vez do Republicanos oficializar a candidatura de Otaviano Pivetta durante convenção no Ginásio Dom Aquino. O evento deverá reunir os partidos da base governista e servir como demonstração de força política após o União Brasil decidir, por ampla maioria, integrar o projeto de continuidade da atual gestão.

No mesmo dia, todas as atenções estarão voltadas para o MDB. A legenda deverá homologar a candidatura da deputada estadual Janaina Riva ao Senado, mas a principal expectativa envolve a definição sobre qual projeto apoiará para o Governo do Estado.

A decisão é estratégica. O MDB tornou-se um dos partidos mais cobiçados da eleição por reunir uma das maiores estruturas municipais de Mato Grosso, forte representação na Assembleia Legislativa e influência em diversas regiões do Estado. Uma eventual aliança com Pivetta fortaleceria ainda mais o bloco governista. Caso opte por Wellington Fagundes, o partido poderá equilibrar a disputa e ampliar a competitividade da oposição de direita. Há ainda quem defenda manter independência, preservando espaço para negociações futuras.

Cenário praticamente definido

Com as convenções avançando para a reta final, Mato Grosso passa a ter três projetos claramente identificados para a sucessão estadual.

De um lado, Otaviano Pivetta representa a continuidade da gestão Mauro Mendes, agora fortalecido pelo apoio do União Brasil e de boa parte da base governista.

No campo conservador, Wellington Fagundes mantém sua candidatura pelo PL e busca ampliar alianças para enfrentar a máquina administrativa estadual.

Já Natasha Slhessarenko assume o papel de representante da frente de centro-esquerda, reunindo partidos alinhados ao governo federal em uma tentativa de construir uma alternativa competitiva ao eleitorado mato-grossense.

Com as convenções chegando ao fim, a disputa deixa os bastidores e entra definitivamente na fase eleitoral. A partir da próxima semana, o foco dos partidos deve migrar das negociações internas para a construção das estratégias de campanha, definição do discurso e disputa pelo eleitorado, em um cenário que promete uma das eleições mais polarizadas dos últimos anos em Mato Grosso.