Pressão por Fábio Garcia expõe racha nos bastidores e encurta prazo para definição da vice de Pivetta

Segundo o VG Notícias, Mauro Mendes teria condicionado aliança à indicação de Fábio Garcia; governador ainda mantém estratégia aberta e preferência por um nome feminino ganha força nos bastidores.

A disputa pela vaga de vice-governador na chapa governista entrou em uma fase decisiva e elevou a temperatura nos bastidores políticos de Mato Grosso. Poucas horas após a convenção do União Brasil, realizada na sexta-feira (31), uma reunião reservada no Palácio Paiaguás evidenciou que a definição do companheiro de chapa do governador Otaviano Pivetta (Republicanos) está longe de um consenso.

Segundo informações divulgadas pelo VG Notícias, o ex-governador Mauro Mendes reuniu-se a portas fechadas com Pivetta. Também participaram do encontro o empresário Cidinho Santos e o deputado federal Fábio Garcia (União Brasil).

De acordo com a publicação, Mauro Mendes teria defendido de forma contundente que Fábio Garcia seja o candidato a vice-governador e, durante a conversa, chegou a sinalizar que a manutenção da aliança política dependeria da aceitação do nome pelo governador. Interlocutores ouvidos pelo portal afirmam que a pressão foi intensa.

Ainda conforme os bastidores relatados pelo VG Notícias, Pivetta não teria aceitado decidir a questão naquele momento. O governador teria argumentado que uma definição dessa relevância deveria ocorrer exclusivamente entre ele e Mauro Mendes, sem a participação de outros integrantes do grupo político. Um novo encontro entre ambos ficou de ser agendado.

Preferência por uma mulher ainda pesa

Apesar da forte articulação em torno de Fábio Garcia, pessoas próximas ao governador afirmam que Pivetta nunca escondeu a preferência por uma mulher para compor a chapa majoritária. O objetivo seria ampliar o alcance eleitoral e fortalecer o discurso de renovação e representatividade.

Nesse cenário, o nome da deputada estadual Janaína Riva chegou a ser tratado como uma das principais alternativas, especialmente pela capacidade de diálogo com diferentes segmentos políticos e pelo desempenho eleitoral consolidado no Estado.

Entretanto, o avanço das convenções partidárias e a necessidade de formalizar as chapas reduziram significativamente o tempo para negociações. Com os prazos eleitorais se aproximando, o espaço para construir uma composição alternativa ficou mais estreito, aumentando a pressão sobre Pivetta para uma definição rápida.

Cabo de guerra na base governista

A disputa pela vice tornou-se um dos principais focos de tensão dentro da base governista. De um lado, Mauro Mendes trabalha para consolidar Fábio Garcia como representante do União Brasil na chapa, preservando o protagonismo político do grupo após o fim de seu mandato.

Do outro, Pivetta busca manter autonomia na formação da própria chapa e resiste a decisões que possam ser interpretadas como imposição. A manutenção de nomes alternativos no radar demonstra que o governador pretende esgotar todas as possibilidades antes de bater o martelo.

Com a convenção encerrada, a disputa deixou de ser apenas uma negociação partidária para se transformar em um teste de força entre as principais lideranças do grupo governista. O desfecho da escolha da vice-governadoria poderá definir não apenas o equilíbrio interno da coligação, mas também o tom da campanha ao Palácio Paiaguás nas próximas semanas.