Gato no telhado: suplência prometida ao Podemos desaparece e crise na base de Mauro Mendes continua

Após perder a vaga de vice de Otaviano Pivetta, Podemos recebeu oferta da segunda suplência ao Senado, mas reviravolta travou acordo e mantém futuro de Max Russi indefinido.

O governador Mauro Mendes (União Brasil) admitiu que a negociação para contemplar o Podemos na chapa majoritária sofreu uma reviravolta e terminou sem definição, deixando evidente que o "gato continua no telhado" dentro da base governista.

Durante a convenção do Republicanos, realizada na noite desta quarta-feira (5), Mauro revelou que a alternativa encontrada para compensar o partido presidido em Mato Grosso pelo deputado estadual Max Russi foi oferecer a segunda suplência de sua candidatura ao Senado. O nome indicado seria o de Elson Ramos.

A proposta surgiu depois que o Podemos perdeu a disputa pela vaga de vice-governador na chapa de Otaviano Pivetta (Republicanos), que acabou escolhendo o deputado federal Fábio Garcia (União Brasil) como companheiro de chapa.

No entanto, segundo o próprio governador, a costura política não resistiu por muito tempo.

"Parece-me que houve realmente essa definição de uma pessoa indicada pelo Podemos, o Elson Ramos, na minha segunda suplência. Mas também houve uma reviravolta uma hora depois e mudou tudo", declarou Mauro Mendes.

O governador afirmou que não participou diretamente da negociação realizada no Palácio Paiaguás e que tomou conhecimento das tratativas por meio de interlocutores.

Mauro também confirmou que o ex-senador Cidinho Santos permanece definido como primeiro suplente de sua candidatura ao Senado, mas reconheceu que a segunda vaga segue sem dono.

"O Cidinho está confirmado como primeira suplência e a segunda suplência ainda não está confirmada."

A indefinição reforça o clima de tensão entre o Palácio Paiaguás e o grupo liderado por Max Russi. A expectativa do presidente da Assembleia Legislativa era garantir ao Podemos a vaga de vice-governador, objetivo que não se concretizou.

Sem espaço considerado proporcional ao tamanho político do partido, o Podemos passou a discutir novos caminhos para a eleição de 2026, incluindo a possibilidade de lançar candidatura própria ao Governo de Mato Grosso.

Nos bastidores, aliados avaliam que as negociações ainda estão longe do fim. A declaração de Mauro Mendes de que a segunda suplência continua indefinida demonstra que as portas permanecem abertas para novas tratativas, mas também confirma que o acordo com o Podemos está longe de ser consolidado.

Enquanto não há definição, a base governista segue convivendo com um impasse que pode influenciar diretamente o desenho da disputa estadual. O recado é claro: o gato continua no telhado, e qualquer movimento pode mudar novamente o tabuleiro político de Mato Grosso.