Pesquisa mostra Pivetta estável após Heritage, mas ainda é cedo para descartar impacto eleitoral
A pesquisa Real Time Big Data divulgada nesta quarta-feira (12) indica que, até o momento, a Operação Heritage não provocou uma mudança evidente nas intenções de voto para o governador Otaviano Pivetta (Republicanos). Mas transformar esse resultado em uma conclusão de que a investigação não terá impacto eleitoral seria, neste momento, precipitado.
O levantamento começou a ouvir os eleitores na sexta-feira (7), apenas um dia após a deflagração da operação da Polícia Federal, e terminou nesta terça-feira (11). Ou seja, a pesquisa captou um período imediatamente posterior ao início do caso, quando as informações ainda estavam sendo divulgadas, repercutidas e assimiladas pelo eleitorado.
No cenário estimulado apresentado pelo levantamento, Pivetta aparece com 26% das intenções de voto, na segunda colocação, atrás do senador Wellington Fagundes (PL), que soma 34%. O resultado mostra que o governador mantém um patamar competitivo, mas também confirma que ainda existe uma distância considerável em relação ao líder.
A cautela na interpretação dos números é importante porque a Operação Heritage atingiu nomes diretamente ligados ao grupo político que sustenta a candidatura de Pivetta. Entre os investigados estão o ex-governador Mauro Mendes (União) e o deputado federal Fábio Garcia (União), que deixou a condição de pré-candidato a vice na chapa governista após a deflagração da operação.
Além disso, o cenário eleitoral já vinha apresentando oscilações antes da operação. Levantamentos anteriores do próprio Real Time Big Data mostravam Wellington Fagundes na liderança e Pivetta em trajetória de crescimento em alguns cenários. Em março, por exemplo, Pivetta aparecia com 22% contra 37% de Wellington em um cenário estimulado. Em junho, outro levantamento do instituto registrou Wellington com 35% e Pivetta com 19% em um cenário com Jayme Campos.
O efeito pode aparecer mais adiante
O principal ponto de atenção é o intervalo entre a deflagração da operação e a realização das entrevistas. Apenas cinco dias separam o início da coleta de dados do encerramento do levantamento.
Em casos de forte repercussão política, os efeitos sobre a opinião pública podem não ser imediatos. Novas informações sobre a investigação, eventuais desdobramentos judiciais, manifestações dos envolvidos e a forma como adversários políticos explorarão o episódio podem alterar a percepção do eleitor nas próximas semanas.
Por isso, o resultado da pesquisa pode ser interpretado como uma *fotografia do momento*, e não como uma sentença sobre o impacto eleitoral da Heritage.
A estabilidade de Pivetta no levantamento é relevante e impede, por enquanto, afirmar que a operação tenha produzido uma queda imediata em sua candidatura. Da mesma forma, porém, os números não permitem concluir que o episódio não terá consequências eleitorais.
O que poderá responder melhor a essa pergunta serão as próximas pesquisas, especialmente aquelas realizadas depois que o eleitor tiver tido mais tempo para conhecer os detalhes da investigação e avaliar politicamente a relação entre os investigados e o grupo governista.
Até lá, a leitura mais segura é outra: *a Operação Heritage ainda não aparece refletida de maneira clara nas intenções de voto, mas é cedo demais para afirmar que não terá impacto na corrida ao Governo de Mato Grosso.*
A disputa, portanto, continua aberta e o comportamento do eleitor nas próximas semanas poderá ser decisivo para saber se a operação ficará restrita ao campo jurídico ou se também produzirá efeitos políticos sobre a candidatura de Pivetta.






