El Niño deve atingir intensidade muito forte e acende alerta para lavouras e queimadas em Mato Grosso

Fenômeno pode prolongar o período seco, elevar as temperaturas e provocar chuvas abaixo da média em áreas do estado; cenário exige atenção do agronegócio e dos órgãos ambientais

A Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência especializada da Organização das Nações Unidas, alertou nesta quinta-feira (3) que o El Niño deverá ganhar força nos próximos meses e atingir intensidade considerada “muito forte” até o final de 2026.

Segundo a organização, a probabilidade de o fenômeno permanecer ativo entre setembro e novembro deste ano e continuar até fevereiro de 2027 está próxima de 100%. A situação poderá provocar alterações importantes nos padrões de temperatura e chuva em diferentes regiões do planeta, aumentando o risco de secas, inundações, ondas de calor e incêndios florestais.

Mato Grosso está entre as áreas de atenção

Em Mato Grosso, o principal sinal de alerta está relacionado à possibilidade de temperaturas acima da média e chuvas abaixo do esperado em parte do estado, especialmente na região norte.

O boletim mais recente do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) aponta que áreas do Brasil Central e do norte mato-grossense poderão registrar deficiência de precipitações entre setembro e novembro.

No Pantanal e na Amazônia Legal, a combinação de pouca chuva, calor intenso e baixa umidade pode prolongar a estação seca, reduzir a disponibilidade de água e aumentar o risco de incêndios florestais.

O monitoramento de julho já havia identificado agravamento da seca em unidades de conservação de Mato Grosso e de outros estados da Amazônia. Em todo o país, 154 municípios apresentavam pelo menos 40% de suas áreas agrícolas ou de pastagens potencialmente afetadas pela seca naquele mês.

Agronegócio poderá sentir os efeitos

Para o agronegócio mato-grossense, o comportamento das chuvas nos próximos meses será decisivo. Um eventual atraso ou uma distribuição irregular das precipitações poderá dificultar a preparação do solo e o início do plantio da safra.

Temperaturas mais elevadas também aumentam a evaporação da água, reduzem a umidade do solo e podem prejudicar pastagens, reservatórios e a oferta de água para o rebanho.

O Cemaden já havia advertido que, no Centro-Oeste, o avanço do calor poderia intensificar a deficiência hídrica no fim do período seco, afetando as pastagens, os recursos utilizados pela pecuária e a preparação da próxima safra.

Apesar do alerta, os efeitos do El Niño não acontecem de maneira igual em todos os locais. A intensidade dos impactos depende da região, do período do ano, da duração do fenômeno e da interação com outros sistemas atmosféricos.

Por isso, a previsão não significa que todo Mato Grosso enfrentará uma seca contínua. Também poderão ocorrer temporais concentrados, rajadas de vento e chuvas intensas em curto período, mesmo em uma estação marcada por precipitações abaixo da média.

Fenômeno aquece o Oceano Pacífico

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. A alteração interfere na circulação da atmosfera e modifica a distribuição das chuvas e das temperaturas em várias partes do mundo.

O fenômeno costuma surgir em intervalos de dois a sete anos e geralmente alcança sua maior intensidade entre novembro e fevereiro. A OMM ressalta que não utiliza oficialmente a expressão “super El Niño”, classificando os eventos como fracos, moderados, fortes ou muito fortes.

Com a previsão de intensificação até o final do ano, produtores rurais, municípios e órgãos ambientais deverão acompanhar as atualizações dos serviços meteorológicos e adotar medidas preventivas para reduzir possíveis prejuízos.