Discurso feminino de Janaina Riva enfrenta desgaste após rompimentos e críticas de antigas aliadas

Ana Cristina Feldner afirma ter sido desrespeitada; Rosana Martinelli reclama da condução do MDB, enquanto Janaina nega desonestidade e diz que não usará mulheres como “escada” eleitoral

A candidatura da deputada estadual Janaina Riva (MDB) ao Senado enfrenta um desgaste justamente em uma das principais bandeiras defendidas pela parlamentar: a valorização das mulheres na política.

Declarações recentes de antigas aliadas colocaram em dúvida a distância entre o discurso público da candidata e a condução das articulações internas do MDB. Os episódios envolvem principalmente a delegada aposentada Ana Cristina Feldner e a ex-prefeita de Sinop Rosana Martinelli.

O caso mais contundente é o de Ana Cristina, anunciada inicialmente como primeira suplente de Janaina. Após ser substituída, a ex-delegada publicou um vídeo afirmando que se sentiu “usada, enganada e desrespeitada”.

Segundo Feldner, o problema não seria a perda da posição na chapa, mas a forma como a mudança foi conduzida.

“Em toda a minha trajetória, em meus 25 anos de serviço público, eu nunca fui tão desrespeitada enquanto mulher”, declarou.

A ex-delegada também questionou publicamente se o tratamento recebido poderia ser enquadrado como violência política de gênero. A própria Feldner, porém, apresentou a questão como uma indagação, e não como uma conclusão jurídica ou denúncia formal.

Ela ainda declarou que Janaina Riva “não a representa como mulher” e prometeu fazer novas revelações depois do dia 17 de setembro, desta vez relacionadas ao que chamou de “honestidade e combate à corrupção”. Até o momento, não foram apresentadas provas ou detalhes sobre o conteúdo dessas futuras declarações.

Janaina nega desonestidade

Janaina Riva contestou a versão apresentada pela ex-suplente. A candidata afirmou que Ana Cristina sabia, desde o convite, que ocuparia a vaga apenas temporariamente.

De acordo com Janaina, a suplência já estava destinada a uma indicação partidária e a presença da delegada ocorreu porque não havia tempo hábil para realizar imediatamente a substituição.

A deputada declarou que foi clara desde o início e negou ter agido com desonestidade. Também afirmou que não pretende atacar Feldner e que respeita a maneira como ela se sentiu.

Ana Cristina rebateu dizendo que a discussão nunca foi sobre permanecer no cargo, mas sobre a falta de diálogo e a maneira como sua saída teria sido conduzida.

Rosana Martinelli também demonstrou insatisfação

O desgaste não se limita à ex-delegada. Rosana Martinelli deixou o PL e ingressou no MDB em abril, após convite feito pela própria Janaina, com a perspectiva de disputar uma cadeira na Câmara Federal.

Entretanto, a candidatura não foi oficializada porque o MDB decidiu não formar uma chapa própria para deputado federal. A decisão provocou insatisfação em Rosana, que reclamou da falta de espaço e de “jogo de cintura” na condução das articulações partidárias.

Posteriormente, Rosana afastou-se do projeto de Wellington Fagundes (PL) ao Governo de Mato Grosso e declarou apoio à candidatura de Otaviano Pivetta (Republicanos). Mesmo permanecendo filiada ao MDB, a ex-prefeita passou a atuar em um palanque adversário ao grupo apoiado por Janaina.

Apesar das críticas, Rosana e Janaina apareceram juntas recentemente em um registro público, indicando uma possível tentativa de distensionar a relação. A imagem, contudo, não apaga as declarações anteriores da ex-prefeita sobre a condução partidária.

Outras mulheres ficaram fora da disputa

Além de Feldner e Martinelli, a vice-prefeita de Cuiabá, coronel Vânia Rosa, desistiu de concorrer a uma vaga na Assembleia Legislativa. Outros nomes femininos ligados ao partido também abandonaram ou não confirmaram suas candidaturas.

A sucessão de desistências passou a ser explorada pelos adversários como uma suposta contradição entre a defesa da participação feminina e as decisões tomadas dentro do MDB.

Janaina rejeita essa interpretação. Ao comentar as baixas, afirmou que o partido não pretende obrigar mulheres a permanecerem na disputa apenas para cumprir cotas eleitorais. Segundo a candidata, “mulher não é escada” e deve disputar uma eleição somente quando houver condições políticas, financeiras e pessoais.

Discurso passa por teste político

As críticas ainda não permitem concluir que Janaina tenha praticado violência política de gênero ou deliberadamente prejudicado candidaturas femininas. Essas são acusações e interpretações feitas por antigas integrantes do grupo, contestadas pela candidata.

Politicamente, porém, o episódio cria um problema de imagem. Ao apresentar a defesa das mulheres como uma de suas principais bandeiras, Janaina também passa a ser cobrada pelo tratamento dispensado às mulheres que participam de seu próprio projeto eleitoral.

O desafio da candidata será demonstrar que as mudanças ocorreram por razões partidárias e eleitorais legítimas, sem transformar antigas aliadas em adversárias dispostas a questionar publicamente sua principal narrativa de campanha.

O News Cuiabá mantém o espaço aberto para novas manifestações de Janaina Riva, Ana Cristina Feldner, Rosana Martinelli e das demais pessoas mencionadas.