Mesmo sob investigação no caso Vorcaro, Mauro Mendes mantém liderança ao Senado em MT
Ex-governador nega ter participado de jantar com Daniel Vorcaro, mas o credenciamento do Banco Master pelo Estado e a atuação no consignado são investigados pelo STJ; desdobramentos podem representar apenas a ponta do iceberg
O ex-governador Mauro Mendes (União Brasil) permanece na liderança da disputa pelo Senado em Mato Grosso, mesmo após seu nome aparecer nas apurações relacionadas ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro.
Levantamento do Paraná Pesquisas divulgado em setembro aponta Mauro com 55% das intenções de voto, seguido por Janaína Riva, com 31,5%. O desempenho mostra que, até o momento, o desgaste provocado pelo caso ainda não foi suficiente para retirar o candidato da primeira colocação.
Entretanto, a investigação em andamento pode mudar o cenário eleitoral, especialmente se surgirem novas informações sobre a entrada do Banco Master no sistema de empréstimos consignados destinado aos servidores públicos de Mato Grosso.
Credenciamento após encontro citado pela investigação
Segundo reportagem do Metrópoles, o Governo de Mato Grosso firmou convênios com o Banco Master e outras empresas financeiras 19 dias depois de um jantar realizado nos Estados Unidos e citado nas investigações sobre Daniel Vorcaro.
A Polícia Federal apura as relações mantidas pelo então controlador do Banco Master com autoridades e agentes políticos. O credenciamento da instituição em Mato Grosso permitiu sua participação no Credcesta, modalidade de crédito vinculada à margem consignável dos servidores estaduais.
O caso chegou ao Superior Tribunal de Justiça, que passou a investigar possíveis irregularidades no processo de credenciamento. A apuração não significa que Mauro Mendes tenha sido condenado ou que sua responsabilidade esteja comprovada.
Mauro nega qualquer irregularidade. Ele também declarou que nunca jantou, conheceu ou manteve contato com Daniel Vorcaro.
Versões precisam ser confrontadas
A negativa do ex-governador, no entanto, não encerra o caso. Cabe à investigação esclarecer quem participou do encontro, como ocorreu a aproximação com o Banco Master e quais critérios foram utilizados para autorizar a instituição a operar com os servidores estaduais.
Também deverá ser apurado se houve interferência política, favorecimento ou alguma vantagem indevida. Até o momento, essas hipóteses permanecem no campo da investigação e não podem ser tratadas como fatos definitivamente comprovados.
A coincidência temporal entre o encontro citado nas apurações e o credenciamento do banco, porém, aumenta a pressão por explicações públicas e documentação completa sobre o processo administrativo.
Apenas a ponta do iceberg?
O caso envolvendo Mato Grosso aparece dentro de uma investigação nacional muito maior. A Operação Compliance Zero apura suspeitas envolvendo gestão fraudulenta, títulos sem lastro, corrupção, lavagem de dinheiro e possíveis relações de Vorcaro com autoridades dos três Poderes.
Por isso, o episódio do Credcesta pode representar apenas uma das ramificações do caso Master. A dimensão real da investigação dependerá da análise de mensagens, documentos, movimentações financeiras e depoimentos reunidos pela Polícia Federal.
Politicamente, Mauro enfrenta uma situação contraditória: lidera com folga as pesquisas, mas carrega um questionamento que ainda não foi completamente esclarecido.
A pergunta que começa a ganhar força na campanha é direta: a vantagem eleitoral continuará intacta caso novas informações sobre o Banco Master e o credenciamento em Mato Grosso venham a público?
Por enquanto, Mauro Mendes segue em primeiro lugar. Mas, no caso Vorcaro, tudo indica que a investigação ainda está longe do fim — e o que apareceu até agora pode ser somente a ponta do iceberg.






