Mercado reduz projeção da Selic e passa a esperar novo corte ainda em 2026
Boletim Focus eleva previsão da inflação para 4,92%, reduz estimativa do PIB e mantém dólar projetado em R$ 5,20
O mercado financeiro passou a esperar uma nova redução da taxa básica de juros ainda em 2026. Segundo o Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira, 21 de setembro, a mediana das projeções para a Selic no final do ano caiu de 13,75% para 13,50% ao ano.
A revisão ocorreu após o Comitê de Política Monetária, o Copom, reduzir a Selic em 0,25 ponto percentual na reunião encerrada em 16 de setembro. Com o quinto corte consecutivo, a taxa básica passou para 13,75% ao ano.
Como a projeção do Focus agora está abaixo da taxa vigente, as instituições consultadas pelo Banco Central sinalizam a expectativa de pelo menos mais um corte até dezembro. O boletim reúne estimativas de bancos, corretoras, gestoras e outras instituições do mercado financeiro.
Inflação volta a subir nas projeções
Apesar da expectativa de juros menores, a previsão para a inflação de 2026 apresentou leve alta. A mediana para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, o IPCA, passou de 4,90% para 4,92%.
O número continua abaixo dos 5,02% projetados quatro semanas antes, mas permanece acima do limite superior da meta de inflação, fixado em 4,50%. O centro da meta é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
PIB tem nova revisão para baixo
A projeção de crescimento da economia brasileira também foi reduzida. A expectativa para o Produto Interno Bruto de 2026 passou de 1,89% para 1,88%, registrando a segunda revisão negativa consecutiva.
Para o câmbio, o mercado manteve a projeção de R$ 5,20 por dólar no encerramento do ano.
Efeito sobre crédito e financiamentos
A perspectiva de continuidade do ciclo de redução da Selic pode favorecer gradualmente o custo de captação das instituições financeiras e abrir espaço para condições mais competitivas em empréstimos e financiamentos.
O repasse para o consumidor, entretanto, não acontece de maneira automática. As taxas finais também dependem do risco de inadimplência, dos custos operacionais, das garantias apresentadas e do spread cobrado por cada instituição.
No mercado imobiliário, uma trajetória consistente de queda dos juros pode contribuir para melhorar as condições de financiamento e ampliar a capacidade de compra das famílias. O efeito tende a ocorrer de forma gradual, conforme bancos e agentes financeiros atualizem suas políticas comerciais.






