Com queda de 9,7% na participação política global, Brasil vai na contramão do mundo e coloca a credibilidade no centro da eleição

Apesar da desaceleração global, o país registra uma expansão do eleitorado, com 158 milhões de brasileiros aptos a votar. O avanço representa um crescimento de 1,46% em relação ao último pleito geral, segundo dados do TSE.

Em meio a um período de incertezas políticas, dados do relatório ‘The Global State of Democracy’, publicado pelo International IDEA, revelam um declínio na participação do eleitorado global. Com a credibilidade das eleições em xeque nas democracias, o número de votantes aptos desacelerou, saindo do patamar de 65,2% (2008) para 55,5% em 2023 (-9,7%).

Na contramão do cenário internacional, o ‘eleitorado brasileiro’ promete ampliar a presença nas urnas. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cerca de 158 milhões de brasileiros estão aptos a votar em 2026, um avanço de 1,46% em relação ao último pleito. Dados complementares da Pesquisa CNT de Opinião revelam que ‘oito em cada dez’ brasileiros devem comparecer para votar no dia 4 de outubro.

Com a disputa acirrada e expectativas de um possível segundo turno, não deixar o interesse eleitoral cair é um dos desafios do colegiado. No entanto, a crise em torno da ‘credibilidade’ política e o uso das estratégias de ataque nas eleições, com trocas de críticas e acusações, impulsionaram a busca por respostas e transparência entre os candidatos. Essa é a avaliação do mestre em Gestão e Tecnologia e relações-públicas, Rodrigo Almeida, gestor da agência CRIATIVOS.

Às vésperas das eleições, Rodrigo explica que o país atravessa um momento delicado acerca da confiança nos candidatos. Segundo o profissional, a credibilidade é um dos “fatores-chave” para a comunicação política, no entanto, o ativo não deve ser confundido com reputação, que pode atenuar a percepção dos eleitores mesmo diante das estratégias atuais de conflito.

“A reputação não é fruto de uma ação isolada ou de uma estratégia ocasional, mas da construção contínua de um ativo fundamentado em consistência, alinhamento de valores e propósito. Na gestão de imagem e comunicação estratégica, cultivar essa solidez reputacional é o que permite a uma liderança se consolidar como referência legítima, garantindo autoridade, escuta ativa e poder para conversar com diferentes públicos”, comenta.

Diante do cenário volátil, com ataques digitais, “fake news” e distorções de narrativa que ganham força em questão de minutos, o profissional ressalta que a construção da reputação será um importante ativo para os candidatos. Reforçar o histórico de entregas reais, resultados comprovados, projetos aprovados e políticas públicas implementadas, surge como uma chancela de credibilidade, confiança e reputação.

Segundo o especialista, em um ambiente hiperconectado e marcado pelo ceticismo do eleitorado, a construção da imagem pública exige estratégia. “A reputação política não se improvisa no período eleitoral; ela é resultado de uma gestão contínua de percepção. O eleitor não busca apenas um discurso persuasivo em outubro, mas uma trajetória que sustente a confiança antes, durante e após o pleito”, complementa.

À frente da CRIATIVOS desde 2016, o profissional tem visto na prática o desafio de posicionar marcas, executivos e lideranças em cenários de alta competitividade. O gestor, desde então, acumula experiências junto a marcas como Nubank, Multishow, TEDx, AMVOX, Dendezeiro, Comida di Buteco, Oakley, Americanas e mais. Unindo a expertise do trabalho de relações-públicas e de assessoria de imprensa, Rodrigo destaca que a dinâmica de construção de imagem ultrapassa o cenário eleitoral e consolida o valor de mercado para organizações, entidades ou porta-vozes.


“Construir reputação exige um alinhamento contínuo entre discurso e prática cotidiana. A gestão estratégica de percepção consolida a confiança genuína e estabelece um valor reputacional sólido, capaz de conectar a narrativa à entrega real na política, no mercado e na sociedade”, conclui.