Lula teria falado em “fazer o diabo” para vencer no primeiro turno, segundo relato atribuído a Lauro Jardim

Declaração teria ocorrido durante gravações eleitorais com aliados; expressão lembra falas de Dilma em 2013 e 2018


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teria afirmado que pretende “fazer o diabo” para vencer a eleição presidencial de 2026 no primeiro turno. A declaração foi divulgada em 30 de agosto por veículos que citaram informações do colunista Lauro Jardim, do jornal O Globo.

Segundo essas publicações, Lula teria feito o comentário a um senador que busca a reeleição, durante gravações para a propaganda eleitoral. A frase atribuída ao presidente foi: “Vamos fazer o diabo para ganhar no primeiro turno”.

Ainda conforme o relato, Lula avaliava que uma disputa em segundo turno seria mais complicada. A declaração, portanto, teria sido feita em uma conversa sobre estratégia eleitoral e a busca por uma vitória já na primeira etapa da votação.

Há uma ressalva sobre a origem da informação: este levantamento encontrou reproduções do relato em outros veículos, mas não verificou diretamente a coluna original nem uma gravação da conversa. Por esse motivo, a frase é apresentada como atribuída a Lula, e não como declaração pública registrada em vídeo.

Expressão lembra declaração de Dilma

O uso da expressão remete a uma fala de Dilma Rousseff em 4 de março de 2013. Durante a entrega de moradias em João Pessoa, na Paraíba, a então presidente afirmou: “Podemos fazer o diabo na hora da eleição”.

Na continuação, Dilma defendeu que os governantes deveriam se respeitar durante o exercício do mandato, independentemente das disputas partidárias, porque haviam sido eleitos pelo voto popular. A manifestação ocorreu diante da possibilidade de confronto entre PT e PSB na eleição presidencial seguinte.

Outro episódio aconteceu em 19 de novembro de 2018, em Buenos Aires, na Argentina. Ao defender a articulação da oposição a Jair Bolsonaro, que já havia sido eleito presidente, Dilma falou em “aliança até com o diabo”. Naquele caso, o assunto era a união de forças contra o futuro governo, após o encerramento da eleição.

Contextos diferentes

Embora as expressões sejam semelhantes, os episódios têm diferenças. Dilma falou publicamente sobre convivência institucional em 2013 e sobre alianças de oposição em 2018. Já a frase atribuída a Lula em 2026 aparece em um relato de bastidores sobre a disputa presidencial.

A linguagem permite questionamentos sobre os limites da disputa pelo poder, mas a expressão, isoladamente, não comprova intenção de cometer irregularidades eleitorais nem representa evidência de um pacto religioso.

Legenda da capa: Montagem ilustrativa produzida com inteligência artificial representa referências ao “diabo” no discurso político. A cena é fictícia.