Menos Janja, mais Alckmin: cobrança no PT recoloca polêmicas da primeira-dama em evidência

De ataques a Nikolas Ferreira e Elon Musk à controvérsia dos móveis do Alvorada, atuação de Janja acumula questionamentos e vira alvo de críticas dentro do próprio partido.

A atuação da primeira-dama Janja da Silva passou a ser questionada também dentro do PT na discussão sobre os rumos da campanha presidencial. Segundo relatos publicados pela imprensa nesta quarta-feira (7), a ex-senadora Kátia Abreu defendeu uma mudança de protagonismo com a frase “menos Janja, mais Alckmin”, recebendo aplausos de participantes de uma reunião partidária.

A cobrança envolve a estratégia de comunicação e a capacidade de conquistar eleitores além da base petista. Conforme reportagem do Times Brasil, Kátia também criticou apresentações de Janja cantando músicas gospel em comícios. Integrantes do partido avaliaram que a iniciativa poderia ser interpretada como exploração eleitoral da religião. Essa avaliação, porém, não comprova perda de votos causada pela primeira-dama.

O desgaste interno se soma a episódios públicos que colocaram Janja no centro de discussões sobre linguagem, exposição e limites de sua atuação.

Em 29 de setembro, durante um ato eleitoral em Salvador, Janja chamou o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) de “piá de bosta”. Em 2 de outubro, voltou a usar a expressão em Belo Horizonte, onde também o chamou de mentiroso. As declarações ocorreram durante a reação governista à divulgação de um trecho descontextualizado de uma fala de Lula sobre exames de saúde de mulheres.

Nikolas aproveitou o confronto para responder publicamente à primeira-dama. Após a eleição, publicou um vídeo com a mensagem “Nunca subestime um piá”. A reação mostra como a ofensa foi incorporada à comunicação do adversário, embora não permita atribuir seu desempenho eleitoral ao episódio.

Outro caso de grande repercussão ocorreu em novembro de 2024. Durante uma atividade do G20 Social, no Rio de Janeiro, Janja disse “fuck you, Elon Musk” enquanto falava sobre desinformação e regulação das redes sociais. A declaração foi registrada pela imprensa internacional. Musk respondeu nas redes com ironia e uma previsão de derrota eleitoral do governo.

Em maio de 2025, a primeira-dama voltou às manchetes ao comentar os impactos do TikTok durante um jantar com o presidente chinês, Xi Jinping. Relatos de integrantes da comitiva apontaram constrangimento, e diplomatas ouvidos pela imprensa avaliaram a intervenção como uma possível quebra de protocolo. Lula defendeu a esposa: afirmou que ele havia iniciado o assunto e que Janja complementou a conversa com preocupações sobre mulheres e crianças.

A controvérsia dos móveis do Palácio da Alvorada também marcou o início do governo. Em 2023, Janja relatou a ausência de peças da residência oficial após a gestão Bolsonaro. Em março de 2024, tornou-se público que todos os bens procurados haviam sido localizados. Segundo a Presidência, o trabalho havia terminado em setembro de 2023, com os objetos encontrados em diferentes dependências do próprio palácio. O governo atribuiu a dificuldade à desorganização no controle patrimonial.

Nas enchentes do Rio Grande do Sul, em maio de 2024, houve ainda um embate com Whindersson Nunes. O humorista reagiu com um meme ao vídeo em que Janja comemorava o resgate do cavalo Caramelo. Ela respondeu relacionando a imagem ao trabalho doméstico feminino. Whindersson esclareceu que sua crítica era ao que considerava excesso de encenação, e não à presença de mulheres em espaços públicos.

A aproximação entre religião e campanha voltou a gerar discussão em setembro de 2026, quando Janja chamou Lula de “verdadeiro ungido de Deus”, em Teresina. É essa a declaração registrada pela imprensa. A frase “nem Deus tira essa eleição de Lula”, também atribuída a ela nas redes, foi desmentida por uma checagem do UOL.

Agora, a cobrança por maior participação de Geraldo Alckmin revela uma disputa sobre como apresentar a candidatura ao eleitorado. Segundo os relatos da reunião petista, dirigentes querem ampliar o diálogo com outros setores e rever a comunicação. A participação de Janja, antes defendida como um ativo político, entrou nessa discussão como um ponto de divergência dentro da própria campanha.