Vitória de Lula repercute na imprensa mundial; silêncio de Trump chama atenção

Veículos da Europa, da América do Sul e dos Estados Unidos destacam quarto mandato, impacto regional e contestação de Flávio Bolsonaro; presidente americano não havia se manifestado nas primeiras horas após o resultado.

A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva sobre Flávio Bolsonaro nas eleições presidenciais brasileiras ganhou destaque na imprensa internacional nesta segunda-feira (26). A conquista do quarto mandato, a recuperação eleitoral no segundo turno e as consequências para as relações internacionais apareceram entre os principais enfoques da cobertura. Na Argentina, o La Nación destacou a reeleição do petista, com mais de 51% dos votos, contra pouco mais de 48% do adversário.

Enquanto o resultado mobilizava veículos estrangeiros e provocava manifestações de líderes internacionais, a ausência de uma declaração de Donald Trump chamou atenção. Segundo reportagem da Radio France Internationale (RFI), publicada pelo UOL, o presidente americano retornou à Casa Branca na noite de domingo sem falar com jornalistas e, até a madrugada de segunda-feira, não havia comentado o desfecho da disputa brasileira.

Na Europa, o francês Le Monde relacionou o resultado à mobilização de eleitores diante da possibilidade de retorno do bolsonarismo ao poder. A publicação destacou o alinhamento de Flávio Bolsonaro com Trump e apresentou a participação eleitoral como um fator relevante para a nova vitória da esquerda brasileira.

O britânico The Guardian abordou as consequências da eleição para a democracia, o meio ambiente e as relações internacionais.

Já o espanhol El País interpretou a vitória como um obstáculo ao projeto de ampliação da influência de Trump na América Latina. O jornal também ressaltou que o resultado não elimina as dificuldades internas: Lula terá de governar um país dividido e negociar com um Congresso de forte presença bolsonarista. Na avaliação da publicação, a mobilização de eleitores que não participaram do primeiro turno ajudou na recuperação do presidente.

Na América do Sul, o La Nación, da Argentina, acompanhou a apuração em tempo real e deu destaque à reversão do cenário do primeiro turno. O jornal também explicou aos leitores argentinos que a nova posse presidencial brasileira ocorrerá em 5 de janeiro de 2027.

O também argentino Clarín destacou a recuperação de Lula, a contestação de Bolsonaro e os efeitos imediatos sobre os mercados.

Nos Estados Unidos, a Associated Press (AP) apresentou a eleição como um freio à sequência de vitórias conservadoras na América Latina. A análise apontou que a permanência de Lula dificulta a aproximação automática do Brasil com Washington. A agência também observou que interesses econômicos, como investimentos, comércio e minerais estratégicos, preservam incentivos para a cooperação entre os dois governos, apesar das divergências políticas.

A CBS News, por sua vez, destacou o quarto mandato de Lula e a recusa de Flávio Bolsonaro em aceitar o resultado.

O silêncio de Trump, portanto, ocorreu em meio a uma cobertura ativa da imprensa americana. Também não representou ausência de manifestações de todas as autoridades dos Estados Unidos. Conforme a RFI, o deputado Joaquín Castro parabenizou os brasileiros pela participação democrática, enquanto o senador Bernie Sanders celebrou a reeleição de Lula. Essas declarações, porém, não equivalem a um posicionamento oficial da Casa Branca.

A Veja, em reportagem atualizada na manhã desta segunda-feira, também registrou a falta de manifestação do presidente americano, em contraste com as felicitações de outras lideranças. A ausência de pronunciamento, isoladamente, não permite concluir que Washington tenha decidido rejeitar o resultado eleitoral brasileiro.

No cenário diplomático mais amplo, a Reuters informou que dirigentes da União Europeia, França, Índia, Canadá e países latino-americanos enviaram mensagens de congratulação. Cooperação comercial, integração regional, clima e fortalecimento das relações bilaterais estiveram entre os temas mencionados nas manifestações.

Apuração referente à cobertura disponível na manhã de 26 de outubro de 2026. A informação sobre o silêncio de Trump corresponde ao período registrado pelas reportagens consultadas.