Cuiabá aprova projeto de Ranalli para instituir Política Municipal de Saúde Mental Masculina
Proposta busca ampliar o cuidado com a saúde emocional dos homens e fortalecer a prevenção ao suicídio; dados nacionais evidenciam a dimensão do problema.
A Câmara Municipal de Cuiabá aprovou, em segunda discussão, o Projeto de Lei nº 24/2026, de autoria do vereador Rafael Ranalli, que institui a Política Municipal de Saúde Mental Masculina. A proposta coloca em evidência um tema relevante para a saúde pública: a necessidade de ampliar a prevenção ao sofrimento psíquico entre os homens e facilitar o acesso ao acolhimento e ao atendimento especializado.
A importância da iniciativa é reforçada pelos indicadores nacionais. Segundo o Ministério da Saúde, 77,8% dos 15.507 suicídios registrados no Brasil em 2021 foram de homens. O dado, apresentado em boletim epidemiológico da pasta, evidencia a desigualdade entre os sexos na mortalidade por suicídio e a necessidade de estratégias de prevenção direcionadas às diferentes realidades da população.
O desafio de falar sobre saúde mental
Além dos fatores individuais, questões sociais e culturais podem influenciar a maneira como os homens lidam com o sofrimento emocional. A pressão para demonstrar força, a dificuldade de expressar sentimentos e o receio de julgamentos podem se tornar barreiras para a procura por ajuda profissional.
O próprio Ministério da Saúde aponta a baixa procura masculina pelos serviços de atenção primária e o acesso tardio ao cuidado como aspectos importantes para a formulação de políticas voltadas à saúde dos homens.
Nesse contexto, a proposta apresentada por Ranalli busca estabelecer uma política municipal específica para a saúde mental masculina, ampliando o espaço para iniciativas de conscientização, prevenção e cuidado contínuo.
Durante a discussão em plenário, o vereador ressaltou que fez questão de defender o projeto nas diferentes fases de tramitação devido à relevância do tema.
“Esse é um dos poucos projetos que eu fiz questão de discutir em todas as fases, dada a importância da matéria e da pauta”, afirmou.
Prevenção precisa ser permanente
Ao defender a proposta, Ranalli destacou que o cuidado com a saúde mental masculina não deve ficar restrito ao Setembro Amarelo ou a campanhas realizadas em períodos específicos.
“Esse projeto visa uma política pública no município de Cuiabá que privilegie e cuide, que tenha um cuidado especial com a saúde mental dos homens”, declarou.
A prevenção ao suicídio exige mais do que campanhas de conscientização. Envolve identificar situações de sofrimento, combater o estigma relacionado aos transtornos mentais, facilitar o acesso aos serviços de saúde e fortalecer as redes de apoio.
A Organização Mundial da Saúde destaca que o suicídio é um fenômeno multifatorial, influenciado por aspectos psicológicos, sociais, culturais, biológicos e ambientais. Por isso, sua prevenção depende de ações articuladas e contínuas.
Ranalli reforçou essa perspectiva ao defender a continuidade da pauta ao longo do ano.
“A importância da saúde mental masculina não é só em setembro ou em algum mês alusivo à saúde do homem”, enfatizou.
Da aprovação à implementação
A aprovação em segunda discussão representa um avanço na tramitação do Projeto de Lei nº 24/2026. Para que a iniciativa se converta em resultados concretos para a população, será importante acompanhar as próximas etapas legislativas e, posteriormente, as medidas previstas para sua implementação.
Entre os aspectos relevantes para a efetividade de uma política dessa natureza estão a divulgação de informações acessíveis, o incentivo à busca por atendimento psicológico, a capacitação de profissionais para o acolhimento e a articulação com os serviços já existentes na rede pública de saúde.
O desafio é garantir que homens em diferentes faixas etárias e condições sociais encontrem caminhos para buscar ajuda sem medo de julgamento ou constrangimento.
Ao levar o tema ao Legislativo municipal, o projeto amplia o debate sobre a responsabilidade do poder público na promoção da saúde mental e na prevenção de mortes evitáveis.








