Delegado confirma que governo pode sim interferir em operações e investigações

O delegado Lindomar Toffoli, que atuava como secretário-adjunto da Defaz, disse que “interferências políticas ocorrem não é de hoje” e lembrou que já havia sido afastado do cargo em 2014, durante gestão do ex-governador Silval Barbosa, que, mais tarde, segundo ele, teria lhe confidenciado o real motivo da decisão. “Nessa gestão eu me deparei novamente com essa questão”, acrescentou.

A confirmação de Lindomar foi feita à Comissão de Segurança Pública e Comunitária da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) nesta terça-feira (14), que convocou os delegados Flávio Stringueta, Lindomar Tofoli e Anderson Veiga sobre a denúncia do prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), referentes a supostas interferências políticas na Polícia Judiciária Civil (PJC).

Eles falaram dos trabalhos realizados no período em que atuaram na Delegacia Fazendária (Defaz) e dos motivos que os levaram a ser afastados.  Lindomar Tofoli e Anderson Veiga foram afastados no final de 2019; Flávio Stringueta, em março deste ano.

O deputado Faissal (PV) chegou a sugerir a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o assunto. No entanto, a Comissão de Segurança decidiu que irá solicitar mais informações sobre o caso à Corregedoria da Polícia Civil antes de decidir os próximos passos.

Stringueta disse que a PJC não possui autonomia financeira nem administrativa e lembrou que a nomeação de delegado-geral é feita pelo governador Mauro Mendes (DEM), a quem, segundo ele, o nomeado deve obediência.

“O delegado-geral depende do governador para ficar no cargo, o que não deveria acontecer porque a Polícia Civil é de estado, e não de governo. Isso não aconteceria se tivesse autonomia financeira”, declarou. 

 

foto reprodução ANGELO VARELA - AL



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