Produtor rural denuncia Energisa por contribuir para incêndios florestais

Em menos de 48 horas, moradores tiveram que conter dois incêndios causados pelo rompimento de fios de alta tensão ao longo da Transpantaneira

 

O produtor rural A.L.A.F.C, 58 anos, foi à polícia para denunciar a concessionária de energia elétrica, Energisa, por um início de incêndio que aconteceu na rodovia Transpantaneira, em Poconé (105 km de Cuiabá). No local, que fica no Km 100, na estrada de acesso a Fazenda Santa Izabel, um fio de alta tensão se rompeu e causou o fogo, que foi controlado por moradores no domingo (3). Este é o segundo Boletim de Ocorrência registrado por moradores do Pantanal Mato-grossense devido ao mesmo problema em dois dias.

No documento, que caracteriza o fato narrado como crime contra a incolumidade pública - risco à segurança das pessoas - e contra o patrimônio, o produtor conta que uma árvore caiu sobre o fio de alta tensão, que se rompeu e, como a energia não foi interrompida, as chamas logo se iniciaram e ganharam força devido à vegetação seca, típica do período de estiagem.

Ele argumenta que a árvore estava dentro da faixa de domínio da Energisa, que não foi devidamente limpa pela concessionária. Segundo o produtor, não é a primeira vez que isso acontece e um dos pontos que mais revoltaram o morador, que publicou um vídeo nas redes sociais, é o fato do fio se manter energizado por horas.

A passagem da corrente foi interrompida pelos próprios moradores da região com equipamentos improvisados porque os focos eram recorrentes e as pessoas não podiam ficar fazendo plantão por tempo indeterminado no local para evitar a propagação das chamas, tendo em vista que não havia previsão dos técnicos chegarem.

Outro caso – O outro caso registrado na Polícia aconteceu no dia anterior, sábado (2), e foi denunciado pela produtora rural M.E.S, proprietária da Fazenda São João. Ela narra que um fio de eletricidade se rompeu, os técnicos da empresa viram, porém foram embora sem resolver o problema e ainda não cortaram a corrente elétrica, o que causou incêndios recorrentes no mesmo ponto, que foram contidos pelos moradores locais.

Segundo a proprietária da fazenda, não é a primeira vez que isso acontece no mesmo local e, em uma das ocorrências, uma vaca foi eletrocutada. A vítima conta que teme que mais animais sejam mortos e até mesmo uma pessoa, já que combate a incêndio é feito com o fio energizado porque a Energisa não corta o fornecimento imediatamente.

Esse segundo boletim foi caracterizado como omissão de socorro e crime contra o patrimônio. Junto com ambos os documentos citados nas matérias, os reclamantes anexaram fotos, imagens e os protocolos de atendimento.

Os casos serão investigados pela Delegacia de Poconé.

 

Sindicato diz que falta manutenção e reparos

 

O presidente do Sindicato dos Produtores Rurais de Poconé e membro do Guardiões do Pantanal, Raul Santos, explica que a situação preocupa e está gerando muitos focos de incêndio ao longo da rodovia Transpantaneira.

Em menos de uma semana, foram registrados 4 casos pelo Sindicato Rural de Poconé. Todos envolvem, além do desabastecimento de comunidades inteiras, o princípio de incêndios.

Raul conta que a situação não é nova e é reflexo da falta de manutenção e modernização da estrutura por parte da Energisa. Ele lembra ainda que houve uma audiência pública na Assembleia Legislativa para se discutir a questão e, naquela ocasião, houve o compromisso da empresa em fazer melhorias, o que até agora não aconteceu.

Na semana passada, o sindicato denunciou um dos casos e, desde então, vem colocando vídeos feitos pelos moradores da região nas redes sociais (@guardioesdopantanalmt) em busca de alguma resposta por parte da Energisa.

“Temos vídeos mostrando o fio caído e é possível ouvir até o estalar da eletricidade e a fumaça do começo dos incêndios. Precisamos urgente de uma solução por parte da Energisa e já pedimos para os bombeiros serem os mais céleres possível nas perícias, já que a palavra do morador, os protocolos de atendimento, os ofícios entregues a empresa, os vídeos gravados pelos pantaneiros e, agora, o boletim de ocorrência não representam nada para a empresa”, conclui.

Quem são os Guardiões do Pantanal - O grupo Guardiões do Pantanal é formado por integrantes das cadeias produtivas do Pantanal Mato-grossense. Eles se uniram após o desastre ambiental das queimadas, vivido em 2020, e pretendem realizar e apoiar ações que contemplem o desenvolvimento sustentável da região e a valorização da cultura pantaneira.

Também irão acompanhar e cobrar mudanças na legislação e a implantação dos projetos de infraestrutura que auxiliem a sobrevivência do pantaneiro e evitem que a região seja consumida pelo fogo.

 

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